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Evaldo Vilela Presidente da FAPEMIG
22/May/2017 - 17h10 - Atualizado em 23/May/2017 - 21h00

A ciência e o desenvolvimento das startups

É o trabalho da pesquisa básica pesquisar o que a humanidade não conhece. É uma questão estratégica para qualquer nação.


Por Evaldo Vilela
Crédito: Pixabay

Para manter as esperanças de sucesso neste mundo dinâmico em novidades, uma startup ou um outro novo negócio, requer cada vez mais um conteúdo tecnológico inovador que, invariavelmente, deriva de um conhecimento, novo fruto, de descobertas inéditas da Ciência. São resultados de pesquisas cientificas conduzidas em laboratórios de universidades e centros de pesquisa e desenvolvimento (P&D) que, após anos de investigação, fazem descobertas que ultrapassam as fronteiras do conhecimento humano, elucidando fenômenos da natureza até então desconhecidos ou ignorados. Daí surgem as novas verdades sobre o funcionamento da vida e seus fenômenos naturais. Esta é a razão de ser Ciência, denominada às vezes de básica, pura ou fundamental, que opera a curiosidade humana por meio do método científico, que é experimental e se vale da estatística para assegurar a significância da verdade.

Infelizmente, a cultura brasileira não reconhece todo o valor da Ciência. É comum ouvirmos reclamações de que deveríamos nos dedicar mais à pesquisa aplicada para a solução de nossos problemas, do que à pesquisa básica. É um preconceito, porque a Ciência é que nos revela o novo, que contribui decisivamente para sermos protagonistas no mundo da inovação global, e não apenas copiadores de tecnologias. A China evoluiu da cópia para o inédito, para o novo, porque aprendeu a fazer Ciência e que não a praticava até o século passado. Este foi o milagre da China que está lhe proporcionando certa soberania tecnológica.

Pesquisar o que a humanidade não conhece, que é o trabalho da pesquisa básica, da Ciência, é uma questão estratégica para qualquer nação que precisa  ir além da exportação de commodites e conseguir exportar produtos e serviços de última geração. Não é só, mas isto é básico. Não fossem as pesquisas básicas desenvolvidas por cientistas em inúmeras partes do mundo, desde a criação dos números primos à astronomia antiga, até as mais recentes descobertas, como a relatividade e a teoria quântica, não teríamos hoje praticamente nada do que usamos. Não teríamos nada digital! Simples assim, a pesquisa aplicada não avança sem o desenvolvimento da Ciência básica! São cientistas que dedicam uma vida inteira a conhecer mais sobre os fenômenos e que muitas vezes chegam ao fim da vida sem completar a obra, a qual acaba sendo finalizada por outros cientistas mundo afora. O cientista Faraday descobriu, em uma Londres tocada à luz de velas e lampiões, os princípios que deram origem à eletricidade. Ao anunciar a descoberta dos tais princípios, novos para a humanidade, ele recebeu a rainha Vitoria do Reino Unido, que lhe perguntou para que servia o que havia descoberto (produzia raios na atmosfera), ele respondeu que não sabia, que era apenas uma pesquisa, mas que tinha a certeza de que um dia a Rainha iria cobrar impostos sobre seu achado, por ser algo novo!

É fundamental, portanto, valorizar a Ciência como uma estratégia de desenvolvimento de startups e outros negócios no Brasil, para então avançarmos em emprego e renda, particularmente em tempos difíceis como os de agora! Devemos copiar o Reino Unido que, em tempos de crise, cortam investimentos, mas mantém e até amplia os investimentos para a Ciência.

 

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Sobre o autor
Evaldo Vilela Presidente da FAPEMIG

Formado em Agronomia pela Universidade Federal de Viçosa. É mestre em Entomologia pela USP e PhD em Ecologia pela Universidade de Southampton, Inglaterra. Realizou pós-doutoramentos nas Universidades: da Califórnia-Berkeley (EUA), de Nuremberg-Erlangen (Alemanha) e Tsukuba, Japão. Reitor da Universidade Federal de Viçosa (2000 - 2004) Foi Secretário Adjunto de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais (2007 – 2014) e Diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais – FAPEMIG (março a dezembro de 2014). Atualmente é presidente da FAPEMIG e membro da Academia Brasileira de Ciências.

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