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Alysson Lisboa Neves Jornalista
31/Oct/2016 - 17h13 - Atualizado em 31/Oct/2016 - 17h25

A Microsoft quer ser a Apple? Não, quer ser maior

No último mês, a Microsoft mostrou seus novos computadores Surface. A semelhança estética entre o Surface Studio e iMac é de impressionar


Por Alysson Lisboa Neves

Surface Studio, da Microsoft e iMac da Apple. Concorrência até no layout

“Não existe nenhuma chance de o iPhone conquistar um share significativo do mercado. Nenhuma chance.” A célebre frase foi proferida por Seve Ballmer, CEO da Microsoft em 2007. A continuação dessa história todos nós conhecemos. A empresa se tornou sinônimo de inovação e objeto de desejo mundo afora. Mas com a morte de Jobs, a Apple perdeu, não apenas seu principal líder, mas também um visionário que estava algumas décadas à frente no mundo da tecnologia. Sempre visionária, ela está perdendo o fôlego. Será?


No último mês, a Microsoft mostrou seus novos computadores Surface. A semelhança estética entre o Surface Studio e iMac é de impressionar. Até o vídeo (veja abaixo) de demonstração é cópia fiel. A Microsoft investiu, por mais de 20 anos, toda sua inteligência no desenvolvimento de aplicativos, o que a tornou líder no segmento por muito tempo. Oito a cada 10 computadores rodam o sistema operacional Windows no mundo. O browser Explorer foi quase unanimidade até a chegada do Chrome da Google. E agora ela quer atacar de vez o mercado de computadores de alta performance.

Porém, o que chama a atenção no lançamento da Microsoft Surface não é apenas a nítida cópia de um modelo bem-sucedido. É a capacidade da empresa em pensar projetos a longo prazo, testar, redefinir estratégias e dar um passo além. O projeto do Surface começou em 2008 quando a Microsoft lançou sua mesa tátil de 30 polegadas. Ela chegou a ser instalada em alguns cassinos em Las Vegas e hotéis em Nova York. O projeto não ganhou a adoção dos fãs da marca nem tampouco conseguiu vendas expressivas. O foco no mercado corporativo estava errado e o sistema operacional não dava conta do recado. A empresa refez o projeto, construiu produtos para diversos segmentos, lançou o Windows 10 e colocou no mercado a família Surface com toda pompa.


Um design digno da Apple


Linhas arrojadas em alumínio e design minimalista. O novo Surface Studio, concorrente direto do iMac, não está para brincadeira. Além da caneta para desenho, já comum nos tablets, outra novidade é o Dial Surface, uma espécie de esfera giratória que posicionada sobre a superfície mostra uma paleta de cores instantânea. O suporte retrátil permite reclinar a tela e transformá-la em uma prancheta. O aparelho tem preço de entrada de US$ 3 mil.


O confronto direto com a Apple é discarado. No site do Windows é possível comparar os dois laptops Surface Book e um Macbook Pro. “É fácil mudar de Mac para o Surface. O novo Surface Book trabalha com o iTunes, iCloud e iPhone. E muitos dos gestos, atalhos e características são semelhantes aos que você já conhece”, esse texto está no site da Microsoft e convida os usuários a comparar os dois fabricantes. Do ponto de vista técnico, o Surface é melhor em diversos itens como segurança por meio de reconhecimento da íris e tela sensível ao toque. Em design são muito parecidos, mas o iMac tem cantos mais arredondados.


Applemaníacos serão convertidos em Microsoftmaníacos?


A trajetória de conquista dos applemaníacos começou com o Macintosh em 1984 com a premiada campanha: The computer for the rest of us. O lançamento do aparelho despertou uma poderosa aproximação entre a audiência e a marca. Ter um Mac era um sinônimo de status e criatividade. A cada lançamento da Apple, um novo mercado se abria e a inquietação dos concorrentes era visível. A gigante da maçã disparou em receita ano após ano e, assim, uma legião de fãs.

Microsoft convida você a comparar os dois modelos concorrentes
Divulgação/Microsoft


Será que a atual investida da Microsoft e a cópia de design (quase exclusivo da Apple) vão abalar a hegemonia da Apple? Rumores dão conta de que hoje o foco da empresa é para os carros autônomos. O certo é que no setor da tecnologia e inovação um cochilo pode ser fatal e a reparação muito cara para a marca.

#microsoft#surfaceFavoritar

Sobre o autor
Alysson Lisboa Neves Jornalista

Jornalista formado pelo Uni-BH, Especialista em Produção em Mídias Digitais pelo IEC PUC Minas e Mestre em Comunicação Digital Interativa pela Universitat de Vic, Espanha. Mais de 20 anos de experiência em mídia impressa e digital, com passagem pelos jornais Hoje em Dia e Estado de Minas. Na Revista Encontro desempenhou a função de editor de novas mídias, coordenador da equipe digital e colunista. É também especialista em desenho de jornais e revistas em tablets e smartphones. Foi professor de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte - Uni-BH. É professor de pós-graduação no IEC PUC Minas e de Empreendedorismo no Cotemig. É palestrante nas áreas ligadas ao jornalismo digital, novas mídias, inovação em desenho de jornais e revistas, redes sociais e marketing digital. É colunista do Portal Uai e consultor de novas mídias e marketing digital.

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