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Alysson Lisboa Neves Jornalista
25/Aug/2017 - 10h57 - Atualizado em 25/Aug/2017 - 11h38

Até 2025, um terço das profissões deixarão de existir. Você está preparado?

Para mudar esse quadro, é preciso investir em criatividade dentro das empresas e na cabeça dos funcionários


Por Alysson Lisboa Neves Belo Horizonte

O lado humano da inovação

Inovar, inovar, inovar. Quantas vezes você já ouviu essa palavra? Toda empresa quer desenvolver seu potencial criativo e inventivo, mas esquece de um detalhe básico: as pessoas. Não basta impor novos processos se a mentalidade é antiga. O mundo da tecnologia cresce a uma velocidade exponencial.

Novos processos e modelos para se pensar a inovação nas empresas surgem o tempo todo. No entanto, no centro desse tsunami existe a força de trabalho. Alguns líderes são resistentes à mudança, por medo do que pode acontecer com suas empresas ou por considerar que o futuro está muito distante.

Segundo relatório do Fórum Econômico Mundial, a automação, o aprendizado de máquina, a computação móvel e ubíqua e a  inteligência artificial não são mais conceitos futuristas. Já são realidade. Novas profissões estão surgindo para novos problemas e capacitar pessoas virou uma missão, ao mesmo tempo urgente e complexa.

O lado humano da inovação - Rumos da Inovação no contexto Brasileiro, foi o tema do encontro do Centro de Referência em Inovação de Minas Gerais que, uma vez por ano, é realizado na sede da Fundação Dom Cabral, em São Paulo. Líderes de grandes empresas e palestrantes renomados se reuniram durante todo o dia na FDC para debaterem o tema.

Profissões que exigem pouca criatividade fatalmente serão substituídas por máquinas, é o que afirma o professor Carlos Arruda, professor da FDC, que abriu o evento.

Pesquisa do Fórum Econômico Mundial aponta que 51% das indústrias não compreendem que enfrentamos mudanças disruptivas. Por isso, é tão difícil mostrar aos empresários a magnitude das mudanças de hoje. Metade das indústrias alega que não há recursos para enfrentar o problema e 42% alega que a pressão dos investidores por lucro a curto prazo impede uma visão mais estratégica sobre o futuro. Sem dúvida, perceber rapidamente as mudanças que se avizinham será uma questão de vida ou morte para as empresas.

Somos todos criativos?

Como requalificar e estimular a criatividade entre os colaboradores? Todos nós temos o mesmo potencial criativo? Quem tentou responder a essas questões foi a pesquisadora Solange Mata Machado, utilizando os estudos sobre neurociência. Com o avanço das pesquisas do cérebro nos últimos anos, é possível responder a questões até então sem respostas. Todos nós nascemos criativos, mas à medida que vamos avançando na idade, deixamos de exercitar nossa criatividade e as conexões ficam cada vez mais fracas.

Ter boas ideias é permitir que o cérebro também mostre ideias não tão geniais. Na hora de sugerir soluções para problemas, muitas vezes somos tolhidos dentro das empresas. Depois de ver nossas ideias abandonadas, muitas vezes voltamos à nossa zona de conforto. O cientista Thomas Edison fracassou centenas de vezes antes de conseguir desenvolver patentes de sucesso como a lâmpada elétrica. Toda ideia é uma boa ideia e precisa de tempo para maturar.

“Criatividade é também ter desapego.” Essa frase foi dita pelos membros da banda de música Metá Metá presentes do evento na FDC. O processo criativo é desenvolvido a quatro mãos e o tempo todo a música é reconstruída por convidados e novos sons descobertos. Essa fluidez permite um movimento crescente de ideias. "As melhores canções extraídas são gravadas e aperfeiçoadas", completa Juçara Marçal, vocalista da banda.

Mas que mundo é esse que estamos enfrentando?

O mundo V.U.C.A (sigla em inglês) para volátil, incerto, complexo e ambíguo resume bem o momento que estamos atravessando. Um lugar de incertezas, com mais perguntas que respostas. Como disse o sociólogo Zygmunt Bauman, a era pós-digital está empurrando essa geração a trocar de amores, amizades, marcas, aplicativos e aspirações como quem troca de tênis, numa sucessão de reinícios, com finais rápidos e indolores. As transformações sociais e tecnológicas estão construindo um mundo em constante mudança.

Essas mudanças exigem uma nova cultura organizacional. Além de ambientes criativos e inspiradores, colaboradores precisam de autonomia para criar e desenvolver suas competências. Exercícios repetitivos serão atributos das máquinas. Tudo que puder ser automatizado, será automatizado. Resultado disso é que um terço dos empregos que existem hoje serão extintos até 2025.

Nívio Ziviani, professor da UFMG, trouxe dados surpreendentes sobre Inteligência Artificial. Não são previsões de futuro. A empresa do pesquisador, a Kunami, realizada trabalho de predição de acontecimentos baseado em dados. Várias ações já estão em curso no momento para redução de doenças e gestão da saúde. Vamos viver cada vez mais e com uma qualidade de vida jamais vista antes. Um trabalho com análise de dados, realizado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, reduziu em 25% o número de óbitos no CTI.

Querendo ou não, preparado ou não, a tecnologia já afeta sua vida e vai impactar fortemente os empregos nos próximos anos. Mais que investir em inovação, é preciso gerar a cultura dentro das empresas e junto aos colaboradores. Pensar novas caixas e não fora da caixa. Esse é o caminho. E você? Como vai enfrentar os desafios?

#niviozivianeFavoritar

Sobre o autor
Alysson Lisboa Neves Jornalista

Especialista em produção em mídias digitais e mestre em comunicação digital interativa pela Universidad de Vic, Espanha. Mais de 20 anos de experiência em mídia impressa e digital, tendo passado pelos jornais Hoje em Dia e Estado de Minas. Na Revista Encontro desempenhou a função de editor de novas mídias, coordenador da equipe digital e colunista. É também especialista em desenho de jornais e revistas em tablets e smartphones. Foi professor de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte - Uni-BH. Professor de pós-graduação no Centro Universitário Una. É palestrante nas áreas ligadas ao jornalismo digital, novas mídias, inovação em desenho de jornais e revistas, redes sociais e marketing digital. É colunista do Portal Uai e consultor de novas mídias e marketing digital.

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