Colunistas

< voltar
Alysson Lisboa Neves Jornalista
14/Nov/2017 - 12h19 - Atualizado em 14/Nov/2017 - 12h47

Com que roupa (conectada) eu vou?

O mundo dos wearables e das experiências imersivas dos clientes ganham cada vez mais espaço no setor da moda


Por Alysson Lisboa Neves Belo Horizonte
Tecido tecnológico está sendo desenvolvido pelo
Project Jacquard: Tecido tecnológico está sendo desenvolvido pelo Google
Crédito: i.ytimg.com

Tecnologia nunca sai de moda. O setor está mudando rapidamente no mundo e inúmeras empresas aproveitam a onda da internet das coisas e experiência do usuário para atrair novos clientes e fidelizar. Tecidos de alta tecnologia chegam à indústria e prometem uma revolução sem precedentes.

Um exemplo disso é o Project Jacquard desenvolvido pelo Google. A Advanced Tecnology and Projects (ATAP) busca desenvolver um tecido conectável, fácil de usar, lavável e que permite ações de seus usuários com um simples toque de dedos. A fibra é conectada a um circuito elétrico pequeno e muito discreto. O objetivo, segundo seus desenvolvedores, é modernizar a indústria têxtil e conectar as roupas com outros dispositivos tecnológicos.

Outro caminho que a indústria da moda está costurando são as experiências cada vez mais imersiva dos clientes nas lojas. Conhecida como in-store experience ou experiência dentro da loja, a grande sacada agora é o uso da inteligência artificial para encantar os consumidores e facilitar suas escolhas na hora da compra. A gigante do varejo on-line Alibaba lançou o Alibaba o FashionAI, uma ferramenta que permite que os clientes das lojas físicas, sim, eles têm também lojas físicas, possam, a partir da escolha de uma peça de roupa, encontrar combinações. Basta a aproximação de um dos tótens das lojas que a Inteligência Artificial se encarrega do trabalho.

Alibaba lançou o Alibaba o FashionAI, uma ferramenta que permite interação 
Crédito: Divulgação

Em alguns shoppings da China, a novidade já está funcionando. A exibição em uma grande tela mostra a combinação de roupas, itens e acessórios que os clientes podem comprar. Depois de escolher, basta apertar um botão e a atendente leva até o cliente as peças escolhidas. Simples assim!

Mas por que isso é tão poderoso?

Alibaba vende em uma sexta-feira qualquer o equivalente a US$ 25 bilhões, quatro vezes mais que os norte-americanos gastam no Black Friday, dia mundialmente conhecido que marca um mês que antecede o Natal com a venda de produtos com descontos bem significativos. Mas esse volume de clientes em compras permite que a inteligência artificial aprenda cada vez mais e mais rápido e, assim, esse mundo de dados direciona as compras da indústria, define quais tecidos, combinações e cores são mais procurados e oferece inúmeras vantagens aos clientes.

O aprendizado de máquina torna cada vez mais natural a relação entre homem e máquina. Vocês se lembram como o Google Tradutor era deficitário há cinco anos? Hoje as traduções estão cada vez melhores, a ponto de permitir, por exemplo, que o Google faça o lançamento do Pixel Buds, o fone de ouvidos com tradução simultânea em 40 idiomas.

Experiência imersiva dentro das lojas

O que a comodidade de comprar pela internet perde frente a venda nas lojas físicas? Exatamente a experiência de tocar os produtos, sentir as texturas, aromas e entrar em um ambiente desenhado para encantar e, claro, aumentar as vendas. Mas o que o comércio tem experimentado ultimamente é a jornada de compra dos clientes sendo realizada após, por exemplo, uma experiência satisfatória com a marca no ambiente físico, convertendo em venda, posteriormente, pelo aplicativo da loja nos smartphones.

O novo comportamento dos clientes transforma as compras em um híbrido que une os mundos virtual e real. Comprar e comparar preços no ambiente on-line e vivenciar a marca em uma experiência imersiva nas lojas físicas se tornou obrigatório para as empresas do século 21. Uma prova disso é a mudança estrutural de diversas lojas, que abandonaram o balcão de vendas, permitindo aos clientes um passeio pela loja e uma convivência com os produtos de modo mais livre. É cada vez mais comum o uso, pelos clientes, de aparelhos celulares nas lojas. Seja para compartilhar com os amigos uma determinada roupa da vitrine, seja para comparar preços.

Um assistente virtual de estilo

Participante da quarta rodada do Seed - programa de aceleração do Governo de Minas, a plataforma MYPS quer revolucionar o modo como escolhemos roupas e combinações. A partir de um pagamento mensal, é possível receber, além de dicas, uma consultoria de moda. A plataforma, que utiliza também inteligência artificial e aprendizado de máquina, vai se tornando um poderoso instrumento para que marcas conheçam melhor seus clientes e ofereçam produtos cada vez mais customizados.

Juliana Brasil da MyPs: Ferramenta para ajudar na escolha de estilo usa inteligência artificial Crédito: Divulgação

Alguns exemplos de imersão no comércio

1 - Óculos de realidade aumentada possibilita ver como ficaria um tapete ou piso de chão da nova casa. O cliente pode andar pelos ambientes e perceber a decoração.

2 - Venda de imóveis. No stand da construtora, é possível visitar o apartamento decorado utilizando os óculos de realidade aumentada. Uma facilidade que gera, inclusive, economia para a construtora.

3 - Aplicativos de lojas de cosméticos permitem que você faça a escolha, por exemplo, da cor do batom ou, ainda, mudar a cor do cabelo em um salão de beleza. As experiências estéticas são uma tendência forte também no Brasil.

Os consumidores estão com o poder sobre as marcas. Eles fazem escolhas, trafegam por inúmeras telas e decidem as compras em múltiplas plataformas. Por isso, entender o cliente e seus anseios nunca foi tão imperativo. As marcas que se destacam trazem experiências de seus clientes para dentro das lojas. A Nike Soho ou a grife Lulu Lemon são exemplos que como a experiência da marca é prioridade hoje em dia. Nessas lojas os clientes podem experimentar os produtos e viver amplamente a marca sem, necessariamente, converter, naquele momento em venda. Essa nova experiência é poderosa, mas também difícil de ser incorporada pelas marcas que vendiam no século 20 a partir de uma boa campanha de marketing. Então, você está preparado para a mudança?

Leia mais

Sobre o MyPs

Sobre Wearables

Sobre os lançamentos do Google

#mypsFavoritar

Sobre o autor
Alysson Lisboa Neves Jornalista

Especialista em produção em mídias digitais e mestre em comunicação digital interativa pela Universidad de Vic, Espanha. Mais de 20 anos de experiência em mídia impressa e digital, tendo passado pelos jornais Hoje em Dia e Estado de Minas. Na Revista Encontro desempenhou a função de editor de novas mídias, coordenador da equipe digital e colunista. É também especialista em desenho de jornais e revistas em tablets e smartphones. Foi professor de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte - Uni-BH. Professor de pós-graduação no Centro Universitário Una. É palestrante nas áreas ligadas ao jornalismo digital, novas mídias, inovação em desenho de jornais e revistas, redes sociais e marketing digital. É colunista do Portal Uai e consultor de novas mídias e marketing digital.

Comentários

As opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores, não serão aceitas mensagens com ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência. Clique aqui para acessar a íntegra do documento que rege a política de comentários do site.