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Alysson Lisboa Neves Jornalista
09/Oct/2017 - 14h41 - Atualizado em 09/Oct/2017 - 17h02

Comunicação eficiente para startups. Como conseguir destaque na grande mídia?

Por que sua startup vai ganhar visibilidade na mídia?


Por Alysson Lisboa Neves Belo Horizonte
Os sites das startups sempre dão destaque aos veículos de imprensa
Crédito: Reprodução/Internet

Na hora de montar uma equipe as startups estão em busca de bons programadores e designers que irão construir os produtos, site e aplicativos. No entanto, muitas empresas, principalmente quando começam a trabalhar, consideram que a comunicação e o marketing não são prioridade. Mas isso pode se tornar um problema no futuro. Vejamos:


Como fazer ações em comunicação antes de a empresa ter orçamento específico para esse fim? A conta não fecha, não é mesmo? As redes sociais, como Facebook e Instagram, só conseguem espalhar conteúdo se houver monetização. E poucas startups têm verba nos primeiros anos de vida.


É impressionante: as mídias tradicionais, como revistas, jornais, TVs e rádio ainda exercem grande influência em nossa tomada de decisão. Apesar de terem sido, por muitos especialistas, fadados ao desaparecimento na virada do século, as mídias tradicionais são muito fortes e seguem mantendo sua relevância. Sempre que uma startup quer mostrar o quão inovador é seu negócio, eles recorrem às publicações impressas. Usam, inclusive, as redes sociais para dar destaque a isso.


É muito comum que os sites destaquem em seus canais oficiais em quais veículos de mídia foram publicadas matérias sobre a empresa. Há, muitas vezes, um espaço exclusivo para isso, o que permite grande visibilidade. A Méliuz, startup mineira de cashback, tem na página principal do site mais de 30 matérias sobre a empresas que foram veiculadas pela mídia especializada. O mesmo ocorre com a Maxmilhas, que traz as publicações de destaque em sua página principal no site.


Por que a mídia é tão importante para seu negócio?


Atualmente, existe uma profusão de sites de informação (estima-se que existam 30 bilhões de blogs hoje na internet), mas o número de veículos de notícia relevantes ou com boa audiência é infinitamente menor. Por isso, ter sua história publicada em um veículo de grande circulação ou reputação tornou-se tão difícil. Trabalhei por 20 anos nas mídias impressa e digital, nos jornais Estado de Minas e Hoje em Dia, e era comum chegar dezenas de releases diariamente nas redações. O destino de todos era a lixeira. Sabe por que isso acontecia? Conheça abaixo os motivos:

Após você enviar um e-mail para um veículo de imprensa é necessário que você se certifique que o jornalista recebeu ou leu. Isso é chamado de follow up. Recebo diariamente uma dezena de releases sobre os temas mais diversos ligados à tecnologia, mas são pouquíssimos os jornalistas que ligam para explicar melhor a pauta. Conversar com o jornalista especializado é também relacionar-se com ele, conhecer sua rotina, tirar suas dúvidas e perceber as dificuldades.

A pauta ou assunto interessa a um número significativo de pessoas? Trata-se de uma pauta interessante, instigante ou com um apelo social claro? Promover produtos ou serviços como novas impressoras, nova sede de uma empresa ou coisas do gênero é na verdade a promoção de uma empresa e isso interessa a uma parcela muito pequena de pessoas. O que mais pode gerar interesse? Por que o jornalista iria publicar aquela notícia? É preciso pensar assim.

É necessário também pensar no propósito da marca. “Desenvolvemos uma solução que vai impactar a vida das pessoas com dificuldade de locomoção.” Esse exemplo deixa bem claro que a intenção da startup e o que ela busca resolver. Os jornalistas estão muito propensos a divulgar notícias que impactam positivamente a vida das minorias ou de mercados menos favorecidos ou com pouca visibilidade midiática.

Comece com a história de um personagem. A dificuldade dessa pessoa em resolver um determinado problema. Depois disso mostre que a solução busca resolver essa “dor”. Além de atrair o interesse para a leitura, estreita a relação e conecta as pessoas. Henry Jenkins, pesquisador norte-americano, tem uma frase que gosto muito: “O conteúdo que tem aderência é o material que as pessoas querem propagar”. Aderência é algo de interesse, que motive e gere interesse.

Se pudéssemos dividir o tempo para planejamento de uma campanha de comunicação eu dividiria em 20% ação e 80% pesquisa. Perca mais tempo entendendo quem é seu cliente ou seu consumidor e menos tempo na execução da ação. É muito comum campanhas irem ao ar sem a empresa ter ao menos um posicionamento claro de quem vai consumir aquele produto. Isso acontece porque há uma certa ansiedade por medir resultados rapidamente. Mas é preciso, antes de qualquer coisa, entender o que aquele consumidor gosta.

Escolha as mídias corretas. Não adianta enviar um release ou ligar para o jornalista para “vender” uma pauta se o veículo está errado. Você pode até conseguir, dado o bom relacionamento entre veículo e empresa, que sua matéria seja publicada, mas o resultado efetivo geralmente é muito baixo. Não adianta você ter uma matéria de capa em um grande veículo de circulação nacional se o seu cliente ou consumidor não está consumindo esta mídia.

Exemplo de mudança de posicionamento na hora de divulgar sua startup na mídia

Para um aplicativo de carona, ao invés de dizer que ele é fácil de usar ou que ele está disponível nas lojas de aplicativo, fale sobre o consumo de combustível e tempo perdido no trânsito dos grandes centros. O problema que a empresa está resolvendo é nobre. Busque ressaltar a dificuldade em estacionar, preço elevado dos combustíveis e congestionamentos. É possível disponibilizar no site uma calculadora para que o usuário some as despesas que tem com o veículo? Essa é uma boa maneira de falar sobre despesas com o carro.

Então, quer ganhar visibilidade na grande mídia? Comece com o relacionamento e propósito claro, destacando não os benefícios do produto e sim os benefícios aos usuários.

 

 

 

#imprensa#divulgaçãoFavoritar

Sobre o autor
Alysson Lisboa Neves Jornalista

Especialista em produção em mídias digitais e mestre em comunicação digital interativa pela Universidad de Vic, Espanha. Mais de 20 anos de experiência em mídia impressa e digital, tendo passado pelos jornais Hoje em Dia e Estado de Minas. Na Revista Encontro desempenhou a função de editor de novas mídias, coordenador da equipe digital e colunista. É também especialista em desenho de jornais e revistas em tablets e smartphones. Foi professor de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte - Uni-BH. Professor de pós-graduação no Centro Universitário Una. É palestrante nas áreas ligadas ao jornalismo digital, novas mídias, inovação em desenho de jornais e revistas, redes sociais e marketing digital. É colunista do Portal Uai e consultor de novas mídias e marketing digital.

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