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Evaldo Vilela Presidente da FAPEMIG
14/Jun/2017 - 11h58 - Atualizado em 14/Jun/2017 - 12h15

Crie seu próprio emprego ou sua nova ocupação

Nesse cenário, as inovações tecnológicas fazem surgir naturalmente novas ocupações, assim como levam ao desaparecimento tantas outras.


Por Evaldo Vilela

Crédito: Pixabay

As inovações tecnológicas nos surpreendem cada dia mais, tanto pela grandeza do ineditismo como pelo seu crescente número, fruto de um desenvolvimento científico e tecnológico fascinante nas últimas décadas. São inovações que impulsionam novas oportunidades de negócio, aproveitadas principalmente por jovens talentos empreendedores, que criam suas startups e com elas têm suas primeiras lições sobre o que deseja o mercado e os anseios das próprias pessoas por uma vida melhor. Alimentam, com isto, o sonho de protagonistas de um mundo com grandes e rápidas transformações. São jovens que criam seus próprios empregos em um tempo de concursos públicos cada vez mais escassos, devido à impossibilidade dos governos de contratar.

Nesse cenário, as inovações tecnológicas fazem surgir naturalmente novas ocupações, muitas das quais nunca foram imaginadas, assim como levam ao desaparecimento tantas outras, alterando substancialmente o entendimento e as condições de emprego em nossa sociedade. Avanços como os da inteligência artificial tendem a substituir mais e mais as tarefas exercidas por humanos, com maior perfeição e eficiência. Até pouco tempo atrás, não concebíamos a existência, por exemplo, de carros sem motorista, o que já é uma realidade, que ameaça seriamente o emprego de milhões de pessoas em todo o mundo. Mas, também é verdade que, em menor proporção, novas profissões começam a aparecer com muita força, como a de designers do mundo virtual. São incríveis as mudanças de paradigmas e inquietantes os novos desafios no campo da empregabilidade.

O historiador e escritor israelense Yuval Noah Harari chama a atenção para o desaparecimento nas próximas décadas de profissões que empregam em massa no mundo de hoje, como muitas existentes na construção civil. Robôs e impressão 5D farão muito melhor e mais rápido, minimizando os constantes acidentes de trabalho. Carros sem motoristas deslocarão, de modo crescente, contingentes de pessoas. Muitos talvez conseguirão, com a ajuda de bons programas, se reinventarem. Mas, um motorista de 40 anos de idade, por exemplo, após ter conseguido se reinventar como um outro profissional, dificilmente terá condição de uma segunda reinvenção profissional, após ser novamente deslocado pelas rápidas e surpreendentes transformações tecnológicas em curso.

Máquinas cada dia mais aptas a aprender irão transformar radicalmente a maneira de se viver, ameaçando inclusive a existência de uma nova classe de pessoas que não seriam empregáveis, por não se qualificarem para emprego algum! A questão do trabalho se torna assim uma grande preocupação e suscita em muitos a vontade de barrar logo a corrida tecnológica de modo a tornar o mundo menos inovador! Um mundo com menos inovações seria mais previsível e certamente mais cômodo, menos arriscado. Não me parece termos esta opção! A natureza humana busca permanentemente uma vida melhor, com mais segurança, com a cura definitiva das muitas doenças que nos afetam nos dias atuais, com alimentos mais nutritivos e livre de agrotóxicos. Enfim, a realização do sonho de uma vida longa e feliz, o que requer soluções inovadoras!

O saudosismo de tempos atrás não ajuda, porque, definitivamente, o mundo atual é muito melhor, quando olhamos o todo. A questão do emprego nos lembra apenas o muito que temos a caminhar em uma sociedade organizada em torno do bem comum, onde o trabalho, tal como existe hoje, pode não ser mais necessário e possamos nos ocupar muito mais com nossa família, o lazer e a diversão da alma, amparados por uma economia participativa!

 

##inovacao##StartupsFavoritar

Sobre o autor
Evaldo Vilela Presidente da FAPEMIG

Formado em Agronomia pela Universidade Federal de Viçosa. É mestre em Entomologia pela USP e PhD em Ecologia pela Universidade de Southampton, Inglaterra. Realizou pós-doutoramentos nas Universidades: da Califórnia-Berkeley (EUA), de Nuremberg-Erlangen (Alemanha) e Tsukuba, Japão. Reitor da Universidade Federal de Viçosa (2000 - 2004) Foi Secretário Adjunto de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais (2007 – 2014) e Diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais – FAPEMIG (março a dezembro de 2014). Atualmente é presidente da FAPEMIG e membro da Academia Brasileira de Ciências.

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