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Alysson Lisboa Neves Jornalista
06/Jun/2018 - 13h44 - Atualizado em 07/Jun/2018 - 10h57

Educação exige novas formas de pensar

Inovar na educação está muito além de inserir dispositivos tecnológicos em sala. É preciso colocar o aluno em um novo contexto de mundo


Por Alysson Lisboa Neves
Perestroika utiliza uma metodologia com foco nas relações interpessoais. O resultado gera impacto na vida dos alunos
Crédito:  Felipe Abras/Perestroika

“A educação é um dos sistemas mais fechados do mundo.” Essa frase de Jesús Martín-Barbero, antropólogo e filósofo colombiano reflete bem o motivo pelo qual as mudanças na educação caminham a passos tão lentos. Metodologias de aprendizado remontam ainda ao século XVIII em muitas escolas.

Quem não percebeu a mudança ou acredita que ela se dará lentamente será abatido muito em breve alertam especialistas. Isso se dará pela crescente evasão dos alunos ou pela rápida percepção das pessoas de que o conhecimento pode ser adquirido em novos espaços de aprendizado em mundo da nova cultura de valores e consumo.

As tradicionais escolas com seus largos prédios seculares adotam, na maioria das vezes, corredores repletos de salas de aulas com carteiras enfileiradas no padrão um para todos. Os professores (iluminados) se revezam entre espaços lotados e apresentam suas aulas com metodologias tradicionais. Assim, alunos dividem espaços que matam a criatividade ou impossibilitam novos meios de aprendizado - mais colaborativos, por exemplo.

Lucas Porto se define como diretor de whatever. O negócio é gerar impacto e mudança de mindset
Crédito: Felipe Abras/Perestroika

As escolas tradicionais são ligadas ao Ministério da Educação (MEC) e trazem a sociedade como aliada na percepção de que as instituições estabelecidas formam o cidadão e propagam o conhecimento e o senso crítico. Claro que ainda é assim, mas o modo de ensinar precisa mudar radicalmente. Não apenas pela entrada da tecnologia, mas também pelas mudanças dos jovens sobre o universo do conhecimento e a necessidade de adoção de novas competências que não existiam no passado.

Vale muito destacar e reconhecer a luta dos professores que com seus baixos salários e condições de trabalho fatigante lutam para transformar a escola e a mente de seus alunos. Guerreiam para romper paradigmas e quebrar o tradicional modo de relação entre aluno e escola. Se por um lado existe a força de manutenção de uma sala de aula protocolar, outros modelos surgem e começam a povoar o mundo rapidamente.

Na contramão de todas as normas, critérios avaliativos e demais diretrizes reconhecidas “oficialmente”, surgem escolas com novos focos. Uma dessas escolas, com sede em BH, Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo é a Perestroika. O nome remete à reconstrução e abertura econômica da extinta República Soviética no então governo de Mikhail Gorbachev. A palavra significa reconstrução e é exatamente isso que essa escola faz. São subversivos, criativos e inovadores.

A escola precisa entender que a educação não é uma fórmula que cabe para todos de maneira igual. Cada indivíduo tem uma estrada e um modo de conhecer o mundo
Crédito: Felipe Abras/Perestroika

Seus cursos como Chora PPT, Empreendedorismo Criativo, Dojô, Chave-mestra e tantos outros colocam os participantes no centro do aprendizado e geram valor. No espaço, localizado na Rua Sapucaí, no Bairro Floresta, em BH, os alunos têm total liberdade para expressar suas dúvidas e pensar por outro prisma. Não existe um modelo centralizado de aprendizado. O ciclo virtuoso integra metodologias ágeis, aprendizado baseado em Programação Neuro Linguística, muita discussão em grupo e intenso network.

Quem nunca teve aquele professor que foi referência ou que marcou profundamente a vida? E quando esse registro se amplia para toda uma escola ou um modo de pensar a difusão do conhecimento? Aprender com o erro, observar o outro e reconhecer histórias de sucesso, seus fracassos e entender a nova configuração do mundo fazem parte da dinâmica da Perestroika. A cultura do aprendizado para os professores torna-se um valor muito caro: a entrega e o poder transformador do aluno. Lucas Porto, Rayssa Favato, Bruno Lanna e Eduardo Obregon estão à frente do curso Empreendedorismo Criativo.

Novas profissões exigem novas escolas

Esse novo tipo de escola enfatiza as competências que serão exigidas aos cidadãos do futuro. Quem vai comandar as grandes empresas que ainda estão por surgir? Quem vai estudar o comportamento das máquinas, criar sistemas automatizados, prototipar projetos em impressoras 3D e analisar o volume de informação que cresce exponencialmente nas redes? São mais de 40 zetabytes de dados na web (e crescendo). Quem fará a manutenção remota de bilhões de equipamentos conectados, por exemplo?

Não basta ser lúdico. É preciso que os novos espaços sejam alinhados às demadas e ao novo modo de pensar
Crédito: Bernoulli/Divulgação

Começar cedo, antes que seja tarde demais

O Colégio Bernoulli, tradicional em Belo Horizonte, criou uma escola para alunos do ensino infantil e fundamental (de 4 a 10 anos). O Bernoulli Go é um espaço de quatro andares localizado no Bairro Santo Antônio, que busca ensinar crianças a encarar os desafios urgentes. Salas de aula que reforçam as competências colaborativas, economia circular, cultura maker, tecnologia e lógica algorítmica estão na pauta, já para o ano que vem. Hortas orgânicas, jardim vertical, salas de aula com carteiras modulares, além da liberdade para criar. De perto nada lembra as escolinhas tradicionais.

A escola mata a criatividade

O consultor Ken Robinson apresentou um TED que causou muita reflexão e discussões no ambiente escolar. Ele fala como o sistema educacional estimula o enfraquecimento da criatividade. Os mais recentes estudos, incluindo o Fórum Econômico Mundial e a Federação das Indústrias de Minas Gerais apontam que a robotização e a automação vão gerar um forte impacto nos postos de trabalho realizados por humanos de modo automatizado. São milhões de empregos que perderão espaço para máquinas. Sobra a nós o caminho da criatividade para solucionar problemas, capacidade que as máquinas não conseguem substituir. A escola do seu filho já está preparada para as novas demandas do mundo?

“Você nunca muda as coisas lutando contra o que já existe. Para mudar alguma coisa, construa um novo modelo que faça com que o modelo atual se torne obsoleto.”  Perestroika BH

#bernoulliFavoritar

Sobre o autor
Alysson Lisboa Neves Jornalista

Jornalista formado pelo Uni-BH, Especialista em Produção em Mídias Digitais pelo IEC PUC Minas e Mestre em Comunicação Digital Interativa pela Universitat de Vic, Espanha. Mais de 20 anos de experiência em mídia impressa e digital, com passagem pelos jornais Hoje em Dia e Estado de Minas. Na Revista Encontro desempenhou a função de editor de novas mídias, coordenador da equipe digital e colunista. É também especialista em desenho de jornais e revistas em tablets e smartphones. Foi professor de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte - Uni-BH. É professor de pós-graduação no IEC PUC Minas e de Empreendedorismo no Cotemig. É palestrante nas áreas ligadas ao jornalismo digital, novas mídias, inovação em desenho de jornais e revistas, redes sociais e marketing digital. É colunista do Portal Uai e consultor de novas mídias e marketing digital.

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