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Alysson Lisboa Neves Jornalista
04/May/2018 - 13h27 - Atualizado em 07/May/2018 - 13h55

Espetacular, meu caro Watson!

Não é apenas uma nova ferramenta. A computação cognitiva coloca o trabalho humano em novo patamar


Por Alysson Lisboa Neves
É parecido com os antigos mainframes pelo tamanho, mas o IBM Watson é o cérebro que comanda a inteligência artificlal e nada se assemelha aos computadores atuais
Crédito: IBM/Divulgação

 

Machine learning, inteligência artificial, deep learning, análise de dados e computação cognitiva. Quantas expressões citadas acima são familiares para você? Caso sua resposta seja nenhuma, o futuro do seu trabalho pode estar ameaçado.

Não se trata de uma visão reducionista de que as máquinas vão substituir a mão de obra humana. É muito mais que isso. A computação cognitiva permite que máquinas reconheçam comandos e façam relações cada vez mais parecidas com as nossas. Isso trará mais competitividade, redução dos erros humanos e novos campos de pesquisa e trabalho.

Selecionar pessoas para uma vaga, atender melhor o cliente, otimizar as operações nas fábricas e tomar decisões estratégicas. Os softwares sempre desempenharam funções que tornavam essas operações mais rápidas e automáticas. Mas, agora, o que está acontecendo é que os supercomputadores quânticos como o IBM Watson podem aprender novos comandos, melhorar a cada nova operação e entregar respostas instantâneas que trariam grandes esforços e tempo.

“O cérebro eletrônico pensa e pode”

Contrariando um pouco a letra da canção Cérebro Eletrônico, de Gilberto Gil, máquinas já fazem muitas coisas que antes eram restritas a nós, mortais. Não estamos falando de ficção científica ou algo que vai demorar um século para chegar ao Brasil. Essa reverberante revolução já bate à porta das empresas e indústrias de todos os segmentos. E você não tem como ficar de fora.

Quem apregoa isso são os maiores cientistas do Brasil, entre eles Nívio Ziviani, professor emérito da UFMG e criador da Kunami - empresa que trabalha com aprendizado de máquina. Ele esteve na Fundação Dom Cabral para discutir o tema dentro da programação do Centro de Referência a Inovação (CRI-MG).

Rogério Baldini, da IBM e participante do evento na Fundação Dom Cabral, afirma que a empresa compreende que o aprendizado de máquina possibilitará uma melhor tomada de decisão nas empresas. “A digitalização possibilitará novos modelos de negócios e provocará grandes mudanças nos mercados e nas estratégias das empresas. A IBM não vê isso como uma substituição do homem pela máquina”, completa o especialista.

 

Encontro na FDC discutiu a indústria 4.0 e seus impactos
Crédito: Alysson Lisboa/Simi

Mas o que o Watson faz que é tão surpreendente?

Atualmente, já são mais de 50 serviços disponíveis e acessíveis às empresas por meio de APIs. Vou falar sobre o Personality Insights, Assistant  e o Discovery. Essas funcionalidades fizeram parte da oficina organizada pelo Centro de Referência a Inovação - CRI-MG na Fundação Dom Cabral em parceria com a IBM realizado no início deste mês.

Foi lançado um desafio aos participantes. Como está a percepção do presidente norte-americano Donald Trump em relação à política externa? Os textos publicados pela imprensa em mais de 100 mil fontes atualizadas diariamente são digitalizados pelo Watson e analisados de forma semântica. Isso é muito diferente de avaliar, por exemplo, o número de ocorrências de determinadas palavras-chave e classificar os textos em positivos, neutros ou negativos.

O que o Discovery é capaz de realizar é a interpretação de dados de modo bastante amplo. Podemos inferir, por exemplo, quais sentimentos são mais expressados nos textos e quais grupos estão conectados nas redes sociais. São teias dinâmicas de dados com infinitas conexões que permitem inúmeras análises.

Muito além de um robô

“Me treine que eu aprenderei.” O Assistant é outro serviço do Watson capaz de fornecer interações automatizadas para qualquer empresa. Diferentemente dos chatbots tradicionais, essa ferramenta é capaz de aprender expressões e contextualizar perguntas de forma ampla. Mesmo com grafias erradas ou abreviações, o assistente é capaz de compreender e entregar respostas precisas.

Uma mudança profunda em gestão de pessoas

Entre as três plataformas estudadas a Personality Insights é, sem dúvida, a mais incrível. Com ela, é possível realizar análises profundas utilizando características de personalidade,  necessidades que influenciam um processo de tomada de decisão e valores como tradição, hedonismo, abertura a mudanças, conservação etc. A análise de currículo deixa de ser apenas observada pelo critério técnico ou competências. A partir de um texto escrito livremente por um candidato a emprego, por exemplo, é possível saber muito mais do que está escrito e declarado nos documentos, como traços de personalidade.

Martha Pimentel (foto acima), professora da FDC que participou do evento, ressalta que as novas tecnologias são mais democráticas e os jovens brasileiros têm uma oportunidade de ouro nas mãos. "Eles precisam acreditar que, com esforço e dedicação, eles atingem o estado avançado do conhecimento. E o acesso hoje é muito democrático em qualquer parte do mundo", completa a professora. 

Veja entrevista com a especialista Martha Pimentel da Fundação Dom Cabral.

O universo da computação quântica abre uma nova fronteira de conhecimento. Estudo recente da Business Software Alliance (BSA) aponta que 2,5 quintilhões de bytes são criados todos os dias na internet. Esse volume absurdo de dados só faz sentido quando estruturados e minerados. Os resultados trazidos para as empresas que conseguem traduzir e utilizar esse mundo de informação é o que vai definir o sucesso ou fracasso das organizações no século 21. E você? Já trabalha nessa nova perspectiva?

#ibm#inteligenciartificial#watsonFavoritar

Sobre o autor
Alysson Lisboa Neves Jornalista

Jornalista formado pelo Uni-BH, Especialista em Produção em Mídias Digitais pelo IEC PUC Minas e Mestre em Comunicação Digital Interativa pela Universitat de Vic, Espanha. Mais de 20 anos de experiência em mídia impressa e digital, com passagem pelos jornais Hoje em Dia e Estado de Minas. Na Revista Encontro desempenhou a função de editor de novas mídias, coordenador da equipe digital e colunista. É também especialista em desenho de jornais e revistas em tablets e smartphones. Foi professor de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte - Uni-BH. É professor de pós-graduação no IEC PUC Minas e de Empreendedorismo no Cotemig. É palestrante nas áreas ligadas ao jornalismo digital, novas mídias, inovação em desenho de jornais e revistas, redes sociais e marketing digital. É colunista do Portal Uai e consultor de novas mídias e marketing digital.

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