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Alysson Lisboa Neves Jornalista
10/Mar/2017 - 11h59 - Atualizado em 10/Mar/2017 - 12h00

Experimentar novos formatos e provocar conhecimento é o papel da escola

O que a gente quer é desenvolver competências, criar uma universidade flexível para o aluno definir seu percurso


Por Alysson Lisboa Neves Belo Horizonte

 

Daniel Castanho, presidente da Anima: a escola precisa ser o espaço da experimentação
Crédito: Alysson Lisboa/Simi

Avaliar todos os alunos pelas mesmas competências e direcionar a educação para um modelo linear de aprendizado. Foi assim durante séculos que o ensino nas escolas e faculdades produziu em série profissionais das mais diversas áreas. Hoje, o professor começa a ser chamado de mentor ou facilitador.

Mas alterar o modo de ensino requer também a mudança dos espaços de aprendizado. As faculdades começam a reconfigurar suas estruturas internas e construir os espaços maker. E a integração entre a sala de aula e os laboratórios está cada vez maior. O Simi conversou com o presidente do grupo Anima, Daniel Castanho, sobre educação e a mudança do modelo de aprendizado no Brasil.

Qual diferencial vocês buscam com o laboratório de prototipagem?
Na realidade, uma das responsabilidade da universidade é desenvolver no aluno a possibilidade de ser protagonista da própria história - autor e ator da carreira e não ter aversão ao risco. É um momento da vida onde você pode prototipar, pode errar, aprender e fazer de novo. Não se pode ser passivo dentro de uma universidade.

O que o erro pode proporcionar ao processo de aprendizado do aluno?
O erro aumenta sua auto-estima automaticamente. Ele percebe que o erro faz parte do processo, que desse modo você vai se tornar uma pessoa mais resiliente e capaz de acreditar nos próprios sonhos. Conheço muita gente que não tem coragem de pedir ao chefe, por exemplo, para sair mais cedo do trabalho para ir no aniversário do filho. O jovem tem que acreditar na própria vida e nos seus sonhos.

Os laboratórios são espaços complementares à sala de aula?

Os laboratórios dentro das universidades fazem muito esse papel. Eles complementam toda competência e know-how desenvolvidos dentro da sala de aula, mas os professores agora incentivam trabalho em campo.

O espaço de inovação e empreendedorismo é o lugar onde a gente tem que desenvolver isso nos alunos. Além disso, a universidade deve estar inserida dentro de uma sociedade. Na história da humanidade, não existe uma sociedade forte sem uma universidade forte.

Domenico Di Masi diz que a Igreja e a universidade são as instituições mais fechadas do mundo. Você concorda com isso ou a escola está mudando? É possível inovar com um volume ainda tão grande de burocracia e entraves?

Acredito nisso e concordo com o sociólogo. A universidade esteve durante muito tempo ensimesmada. Ela foi, durante um longo período, o locus do conhecimento e da informação, e quem tem isso, tem poder.

Hoje, o conteúdo está em todos os lugares e muito acessível. O conhecimento está disseminado em todos os lugares. A universidade precisa correr e não ser apenas o lugar da informação. Ela precisa inspirar, provocar, despertar a curiosidade. Einstein dizia que a curiosidade é mais importante que o conhecimento. Temos que trazer o desejo das pessoas em buscar algo diferente e querer mudar o mundo, despertar o propósito.

Até hoje muitas universidades são disseminadoras de conteúdo. Esse modelo morreu. O que a gente quer é desenvolver competências, criar uma universidade flexível onde o aluno possa definir o percurso informativo dele, entendendo o que faz mais sentido para que ele desenvolva as competências necessárias.

Muitos professores ainda adotam uma didática antiga ou utilizam pouco as tecnologias dentro de sala de aula. Como é possível resolver isso?

Algumas instituições ainda são conteudistas e baseadas em um modelo de apostila, da década de 1970. A apostila faz todo sentido quando você quer transmitir informação. Porque faz um junção do que há de melhor em cada área. Do outro lado, o nosso pilar é não é o conteúdo e sim o professor. Mas com o uso da tecnologia você pode mudar a dinâmica da sala de aula.

O que mudou dos jesuítas que escreviam na areia, e depois o powerpoint e agora na lousa digital? Não mudou nada. A dinâmica é exatamente a mesma. A tecnologia tem que ser usada para mudar a dinâmica da sala de aula mesmo no ensino a distância. Trabalhamos com a lógica de curadoria do conteúdo baseado em tecnologia.

As faculdades estão realizando conexão com as startups. E como está sendo aqui no grupo Anima?

Já temos parceria com o Sebrae, IBM e outras e convênios, entretanto, esse é um espaço em que os alunos precisam olhar outras startups e despertar, com isso, o desejo e fazer algo nesse sentido. O Anima Lab é um lugar para provocar os alunos a buscarem o empreendedorismo.

O Le Cordon Bleu vai efetivamente chegar a BH?
Sim, teremos. Por uma questão de logística, ainda não terminamos de concluir os trâmites, mas acreditamos que no segundo semestre deste ano ou no máximo no início do ano que vem já estarão acontecendo os cursos. E vamos integrar as áreas de gastronomia, nutrição e agora o Anima Lab para projetos mais robustos que envolvam várias áreas do conhecimento.

#anima#animalab#unibhFavoritar

Sobre o autor
Alysson Lisboa Neves Jornalista

Especialista em produção em mídias digitais e mestre em comunicação digital interativa pela Universidad de Vic, Espanha. Mais de 20 anos de experiência em mídia impressa e digital, tendo passado pelos jornais Hoje em Dia e Estado de Minas. Na Revista Encontro desempenhou a função de editor de novas mídias, coordenador da equipe digital e colunista. É também especialista em desenho de jornais e revistas em tablets e smartphones. Foi professor de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte - Uni-BH. Professor de pós-graduação no Centro Universitário Una. É palestrante nas áreas ligadas ao jornalismo digital, novas mídias, inovação em desenho de jornais e revistas, redes sociais e marketing digital. É colunista do Portal Uai e consultor de novas mídias e marketing digital.

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