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Alysson Lisboa Neves Jornalista
12/Jan/2018 - 13h55

Kodak quer virar a mesa e entrar no mercado das criptomoedas

Líder do setor que chegou a empregar mais de 140 mil pessoas, Kodak busca novos caminhos


Por Alysson Lisboa Neves Belo Horizonte
Kodak: símbolo de sucesso no passado hoje é uma empresa que aposta nas criptomoedas
Crédito: Reprodução/Internet

Quem acompanha a história da Kodak deve ter ficado um pouco surpreso com a notícia divulgada pela empresa durante a edição 2018 da CES (feira de tecnologia e consumo) realizada em Las Vegas entre 9 e 12 de janeiro.

A empresa, que chegou a ter mais de 140 mil funcionários espalhado pelo mundo na década de 1980,  assistiu sua história virar de ponta a cabeça poucos anos depois. A gigante do setor de filmes e papéis fotográficos e insumos desenvolveu a tecnologia das câmeras digitais e registrou centenas de patentes, mas parou nesse ponto.

Como era líder do mercado de venda e distribuição de papel e filme para câmeras convencionais, decidiu manter o core business. Uma aposta que lhe rendeu a derrocada e, consequentemente, a falência. A empresa valia, até meados da década de 1990, 28 bilhões de dólares. Em 2012 pediu falência entrando em um processo de reestruturação.

A reviravolta veio com o anúncio de dois novos produtos relacionados às criptomoedas. E isso animou muito os acionistas da empresa, mas gerou grande desconfiança do mercado. Durante a divulgação das novidades as ações saltaram de 3 para 10 dólares em poucas horas.

A empresa mostrou dois produtos. Um deles é o CashMiner é uma plataforma de mineração de bitcoin e o outro é o KodakCoin, criptomoeda que promete melhorar os direitos de imagens dos fotógrafos. Mas por que o mercado está tão desconfiado e não acredita que as novidades vão emplacar?

A Kodak é uma marca conhecida, principalmente pelos baby boomers, indivíduos que nasceram na década de 1950 e 1960. Essa geração, migrantes digitais, tem a Kodak ainda como uma referência. Eles conheceram seus tempos de glória, consumiram seus produtos e acreditam na força da marca.

Por outro lado, as novas gerações não acompanharam a trajetória e não têm por ela apreço ou confiança. Outro problema da mineração de criptomoedas é que para usar a CashMiner o usuário precisará desembolsar 3,4 mil dólares. A empresa Spotlite, licenciada da kodak para produzir o equipamento fará a gestão e arcará com os custos de manutenção, mas você terá que dividir os lucros com ela.

A estimativa é que seja possível minerar, em média, 375 dólares por mês, ou 4,5 mil dólares ao final de um ano. O custo do aluguel da máquina você até consegue pagar, mas e depois? Como o bitcoin é uma moeda extremamente volátil o futuro é obscuro. Além disso, quanto mais pessoas estiveram minerando os dados, menor é o valor de retorno. Mesmo que a moeda se valorize é um risco tremendo.

Um novo intermediário para um mundo cada vez com menos intermediários

Outra questão está não apenas na confiança em um novo e arriscado serviço, está também em pagar para um intermediário. O Blockchain é uma tecnologia que engloba as criptomoedas e que visa descentralizar as transações não mantendo um sistema central de controle como acontece hoje com as instituições bancárias.

Certo ou errado, a lição que podemos tirar dessa atitude da Kodak é que depois de dominar um mercado por muitas décadas a empresa está buscando se reinventar e não há mal algum nisso. Muito pelo contrário. Quanto mais tentativas a empresa fizer, maiores serão as chances de sucesso.  O desafio de hoje da empresa é ver quem confia na marca e aceita surfar nessa onda dos bitcoin. Você arriscaria?

#bitcoinFavoritar

Sobre o autor
Alysson Lisboa Neves Jornalista

Especialista em produção em mídias digitais e mestre em comunicação digital interativa pela Universidad de Vic, Espanha. Mais de 20 anos de experiência em mídia impressa e digital, tendo passado pelos jornais Hoje em Dia e Estado de Minas. Na Revista Encontro desempenhou a função de editor de novas mídias, coordenador da equipe digital e colunista. É também especialista em desenho de jornais e revistas em tablets e smartphones. Foi professor de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte - Uni-BH. Professor de pós-graduação no Centro Universitário Una. É palestrante nas áreas ligadas ao jornalismo digital, novas mídias, inovação em desenho de jornais e revistas, redes sociais e marketing digital. É colunista do Portal Uai e consultor de novas mídias e marketing digital.

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