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Alysson Lisboa Neves Jornalista
09/Apr/2018 - 23h00 - Atualizado em 16/Apr/2018 - 12h19

Minas Gerais se move cada vez mais rápido

Com a chegada do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Hyperloop, Minas tem novo modo de pensar a inovação


Por Alysson Lisboa Neves Belo Horizonte

Há quase 100 anos, Detroit, nos Estados Unidos, se tornou a quarta maior cidade do país. Esse crescimento se fez, entre outros motivos, pela chegada de quase dois milhões de pessoas que se mudaram para a região estimulados a trabalhar direta ou indiretamente nas três grandes empresas automobilísticas: Ford, Chrysler e General Motors. Minas Gerais exportou incalculável quantidade de minério para alimentar essa indústria que chegou, na década de 1950, a produzir três quartos de todos os automóveis do mundo.

Segundo o jornal O Globo, em 2016 o setor automobilístico no Brasil teve uma queda de 23,9% nas vendas, o pior cenário desde 1987. Além da retração no setor, enfrentamos também seus efeitos colaterais – a questão da mobilidade nos grandes centros com escassez de vagas, trânsito caótico e muita poluição.

 ‎Bibop Gresta‎ encanta o público do evento com seu humor e seu esforço em falar português
Crédito: Alysson Lisboa/Simi

 

É preciso atacar não apenas os efeitos colaterais

Depois de mais de um século de exploração, o colapso no modal de transporte por aviões, metrôs e automóvel transforma os check-ins em aeroportos, embarques nas estações de metrô e os engarrafamentos em uma pandemia. Mas como resolver essa situação? Startups como Bla Bla Car, Moovit, Uber, Cabify, 99 e tantas outras atacam os efeitos colaterais do transporte e da mobilidade. Geram impacto, claro, mas agora chega algo que pode, definitivamente, mudar esse cenário em nível mundial.

No início deste mês essa realidade começou a se transformar. E melhor: dentro de Minas Gerais. Mais especificamente, Contagem passa a receber agora o centro de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Hyperloop TT. Essa startup está investindo pesado no desenvolvimento de transporte de carga e de pessoas por meio de um tubo a vácuo que viaja na velocidade do som - 1230 km/h.

Já temos a fábrica da Ericsson, Centro de Engenharia do Google e agora a Hyperloop. O ambiente que está sendo construído vai mudar o vetor de crescimento de Minas, não mais para a venda de commodities e, sim, para venda de conhecimento e tecnologia. O que parecia utopia se torna mais concreto a cada dia.

Parando de jogar frescobol para começar a jogar tênis profissional

Até aparentam certa semelhança. Mas o frescobol, aquele jogo com duas raquetes de madeira que se pratica na beira do mar é muito diferente de uma partida de tênis disputada nas quadras de saibro. No mundo dos grandes negócios ligados à tecnologia, o Brasil participava como se estivesse em uma partida de frescobol. Roupa informal, sem muito compromisso em marcar pontos, quase nenhuma técnica ou qualificação prévia eram necessárias.

As grandes partidas de tênis, essas sim, eram as que ganhavam mídia e interesse mundial. Apesar de termos representantes campeões de Roland Garros, como o Gustavo Kuerten (o Guga), esse esporte sempre era coisa de gringo.

Assim como no mundo da inovação e da tecnologia, a bola não chegava perto da gente, ou quando chegava, era tarde demais. Matchpoint! Quase nunca conseguimos chegar ao final de gran slams nas mesas de negociação quando a disputa era para trazer empresas de base tecnológica para o país. Exportamos minério e recebemos o resultado de sua manufatura. Parece que estávamos fadados a viver assim. Até que as coisas começaram a mudar de alguns anos para cá.

Enviar matéria-prima para o exterior e perder os grandes talentos que conseguimos capacitar nas melhores universidades e faculdades do país. Isso não estava certo. Precisávamos mudar isso e contar para o mundo que a gente não tem mais a "síndrome de vira-lata". Como diz o subsecretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Leonardo Dias, "precisávamos cacarejar" e a gente conseguiu finalmente ser ouvido.

Foram muitos meses de negociação, conexões e um esforço para colocar Minas Gerais, efetivamente, no cenário do desenvolvimento. Feiras como a Finit para conectar o mercado e nossas startups; eventos como Pint of Science para levar cientistas até os bares para contarem, ao público leigo, o que se faz nos laboratórios de pesquisa, até passar por programas de aceleração de startups, como Lemonade, Seed e tantos outros, permitiram que o ambiente se tornasse atraente e pronto para receber as grandes empresas do futuro.

Hyperloop: uma das primeiras

O Hyperloop não é a primeira nem será a última empresa a desembarcar em Minas Gerais.Esperamos por aqui uma série de centros de pesquisa que nos obrigará a investir mais em educação e capacitação dos jovens. Em breve, teremos um ambiente repleto de empresas de base tecnológica bem perto da gente.

O Centro de Pesquisa que chega em Contagem é uma demonstração clara que podemos correr na velocidade do som e mostrar ao mundo que temos talento, capacidade criativa e muito mais que commodities.

Assim como no tênis, não podemos esperar a bola chegar até nós, precisamos buscá-la. Com pulso forte e muita concentração precisamos ser precisos, rápidos, ter estratégia e muita disposição. Apesar da semelhança entre a cor de uma quadra de saibro e a terra do minério de ferro, há uma grande diferença entre esses dois territórios. Um extrai a nossa riqueza; o outro, ressalta nossas virtudes. Qual jogo você quer jogar?

Leia a cobertura completa do Portal Simi sobre o evento clicando aqui.

#contagem#HyperloopTTFavoritar

Sobre o autor
Alysson Lisboa Neves Jornalista

Jornalista formado pelo Uni-BH, Especialista em Produção em Mídias Digitais pelo IEC PUC Minas e Mestre em Comunicação Digital Interativa pela Universitat de Vic, Espanha. Mais de 20 anos de experiência em mídia impressa e digital, com passagem pelos jornais Hoje em Dia e Estado de Minas. Na Revista Encontro desempenhou a função de editor de novas mídias, coordenador da equipe digital e colunista. É também especialista em desenho de jornais e revistas em tablets e smartphones. Foi professor de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte - Uni-BH. É professor de pós-graduação no IEC PUC Minas e de Empreendedorismo no Cotemig. É palestrante nas áreas ligadas ao jornalismo digital, novas mídias, inovação em desenho de jornais e revistas, redes sociais e marketing digital. É colunista do Portal Uai e consultor de novas mídias e marketing digital.

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