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Alysson Lisboa Neves Jornalista
03/Jan/2017 - 13h21 - Atualizado em 03/Jan/2017 - 14h14

Seed produz modelo inovador de gestão na aceleração de startups em Minas

As corporações precisam se concentrar na criação do futuro com foco na gestão de pessoas


Por Alysson Lisboa Neves

“Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes." A frase atribuída ao cientista, físico e matemático Albert Einstein ilustra bem a mentalidade de grande parte das empresas.

O ano está começando e o momento é oportuno para repensar a inovação dentro das empresas. As empresas são criadas para operações contínuas que geram receita. Essa máquina de desempenho gera resultados tangíveis e move a empresa no presente, mas não pavimenta novas estradas em um futuro cada vez mais incerto. Nenhuma máquina de desempenho dura para sempre.

 A repetição do sucesso segue um caminho distinto da ideia de inovação dentro das corporações. Enquanto a máquina de desempenho gera faturamento e regula a saúde financeira da empresa, a inovação rompe com as rotinas e cria novos produtos, processos e serviços continuamente. Para Vijay Govindarajan e Chris Trimble, autores do livro O Desafio da Inovação, editado pela Elsevier Editora (2014), a inovação requer experimentação enquanto a máquina de desempenho exige eficiência.

 As empresas, em tempos de crise, focam seus esforços naquilo que é repetível e previsível. “Mas a inovação é, por natureza, não rotineira e incerta”, completam os autores. Então, como resolver a equação? Como levar aos gestores um conceito inovador que, para vingar, precisará ser nutrido basicamente por recursos oriundos da máquina de desempenho? Para as empresas, quanto maior for o investimento em inovação, maior será necessário o comprometimento da equipe e dedicação de tempo.

Chamado pelos autores de modelo S, esse primeiro conceito utiliza como estratégia, brechas de tempo livre de um grupo de empregados para trazer iniciativas simples em grande quantidade. Esses programas de melhoramento contínuo, ou programas de qualidade, descortinam ideias que, em sua maioria, travam no momento da implantação e geram frustração entre a equipe envolvida. Tal frustração dissolve o interesse dos participantes em continuar otimizando o tempo entre as rotinas diárias da empresa para se esforçarem na criação de ideias inovadoras.

Para a maioria dos setores da economia, inovar é questão de sobrevivência. Portanto, o modelo S pode ser insuficiente e trazer pouca musculatura na geração de novos produtos e serviços. Os autores defendem o desenvolvimento do que chamam de modelo R (repetível).

A inovação em série é o sonho de toda empresa, mas apenas algumas conseguem traçar isso como meta contínua. A Apple, por exemplo, seguindo o sucesso do iPhone em 2007, produziu uma sequência de novos smartphones e permitiu, assim, um veia inovadora de fluxo contínuo dentro da instituição.

O fato é que a Apple não abandonou seus produtos consolidados mantendo um time de engenheiros focados em melhorias constantes de seus laptops ou desktops, por exemplo. Um novo time formado dentro do modelo R recebeu da empresa espaço para inovar e gerar novos produtos. Porém, o modelo R é mais robusto e autônomo.  E assim como o modelo S tem seu limite de expansão. Quando a empresa enxerga como inevitável, não apenas deslocar pessoal, mas ampliar seu quadro, alterar as relações de trabalho entre elas ou reestruturar a hierarquia, pode ter chegado a hora de definitivamente romper com o modelo R e avançar para um modelo mais completo e autônomo, chamado de modelo C (customizado).

Voltando ao exemplo da Apple, mesmo com todo seu conhecimento e eficiência quanto aos componentes eletrônicos e seus sistemas operacionais, a empresa recentemente contratou dezenas de engenheiros para avançar no projeto do carro autônomo. Seria uma grande erro deslocar os engenheiros antigos, focados em melhorias incrementais, para tocar um projeto tão inovador quanto incerto e com variáveis inexploradas até então. Quando é necessário romper e criar novos mercados, o modelo C (customizado) é a solução final e definitiva.

O que possibilita a perenidade das empresas no século 21 não é apenas reconhecer a inovação como peça-chave. É preciso também gerir seu corpo de colaboradores com maestria e integrá-los de modo que o pessoal compartilhado - aqueles que dedicam parte do tempo à inovação - consiga dialogar de modo coordenado com a equipe dedicada evitando conflitos ou choques de interesse. É possível que o status quo tente prevalecer.

Seed, exemplo a ser seguido

Outro exemplo de aplicação eficiente do modelo customizado é o aplicado no Seed, programa de aceleração de startups do Governo de Minas Gerais. A equipe desenvolvou uma metodologia própria de gestão e atraiu um time gabaritado para construir o programa de fomento à inovação. O ambiente inovador que serve como exemplos para outros programas até do exterior vem se transformando em referência e atraindo empresas parceiras. Isso fica claro quando multinacionais como Microsoft, Amazon e outras entregam incentivos às startups aceleradas que, somados, ultrapassam a casa de 1 milhão de dólares.

Inovar pode ser a troca de bastão no futuro das empresas, mas todos precisam correr para a mesma direção de modo coordenado. As corporações precisam se concentrar na gestão do presente, esquecimento seletivo do passado e criação do futuro. Então, sua empresa tem um time de inovadores com autonomia?

#apple#empreendedorismo#seedFavoritar

Sobre o autor
Alysson Lisboa Neves Jornalista

Jornalista formado pelo Uni-BH, Especialista em Produção em Mídias Digitais pelo IEC PUC Minas e Mestre em Comunicação Digital Interativa pela Universitat de Vic, Espanha. Mais de 20 anos de experiência em mídia impressa e digital, com passagem pelos jornais Hoje em Dia e Estado de Minas. Na Revista Encontro desempenhou a função de editor de novas mídias, coordenador da equipe digital e colunista. É também especialista em desenho de jornais e revistas em tablets e smartphones. Foi professor de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte - Uni-BH. É professor de pós-graduação no IEC PUC Minas e de Empreendedorismo no Cotemig. É palestrante nas áreas ligadas ao jornalismo digital, novas mídias, inovação em desenho de jornais e revistas, redes sociais e marketing digital. É colunista do Portal Uai e consultor de novas mídias e marketing digital.

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