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Alysson Lisboa Neves Jornalista
08/Feb/2018 - 12h01 - Atualizado em 08/Feb/2018 - 12h03

O sonho de Jobs bate no coração de Cupertino

Apple Park: um dos prédios mais sustentáveis do mundo muda a paisagem da cidade


Por Alysson Lisboa Neves
Apple Park, em Cupertino, é o espaço dedicado aos visitantes e applemaníacos
Crédito: Alysson Lisboa/Simi

O complexo Apple Park na cidade de Cupertino, na Califórnia, foi projetado em 2006 pelo então CEO da empresa, Steve Jobs. Desde abril do ano passado, ele começa a ser ocupado pelos funcionários da empresa. Cada curva precisa ficar perfeita e bem acabada.  Por isso, ainda é possível ver muitos operários trabalhando nos últimos detalhes.

Na época em que foi idealizada, a Apple tinha 12 mil funcionários trabalhando na região. A proposta, então, foi construir o grande círculo revestido de vidros e painéis solares para abrigar até dois mil funcionários a mais. Hoje, a empresa já tem 34 mil colaboradores e o espaço ficou realmente pequeno para tanta gente.

Construído no subúrbio da cidade de Cupertino (mas não parece nem de longe realmente um subúrbio), a estrutura foi projetada para ter o maior aproveitamento da luz solar e abrigar uma grande área verde. Academia, café, espaços de convivência e uma área de estacionamento com toda a iluminação gerada por luz solar.

Quando você se aproxima da região que está instalado o grande prédio, outros escritórios menores com o icônico símbolo maçã prateada da empresa não param de surgir. O trânsito também fica bem mais intenso. Aos poucos, as curvas do Apple Park aparecem no cenário. É realmente de impressionar.

A empresa construiu um centro para visitantes com café, deck superior com vista para a obra e exposição de produtos. Além disso, é possível, utilizando um iPad emprestado por um dos simpáticos funcionários, projetar na tela toda a construção do complexo. A tecnologia utiliza uma maquete em 3D e realidade aumentada. Ponto forte da visita.

O prédio é hoje o maior edifício naturalmente ventilado do mundo e também é dotado de um dos maiores sistemas de instalação de energia solar do mundo. O que mais chama a atenção na maquete é poder ver as instalações internamente, inclusive simulando o trânsito de pedestres e carros. O requinte de detalhes e a resolução das imagens proporcionam uma experiência imersiva e muito divertida.

O Apple Park está aberto desde novembro de 2017 e na área de visitantes é possível conhecer toda a gama de produtos da marca, cores, texturas e funcionalidade dos produtos. Um espaço para tomar café e fazer breves reuniões ao sabor de um espresso e algumas guloseimas. Quem quiser ainda, pode comprar souvenirs como camisetas (US$ 40), adesivos e chaveiros.

A mais valiosa do mundo

A construção da nova sede consumiu mais de US$ 5 bilhões, o que não faz muito diferença quando você tem algumas credenciais. Segundo a Agência France Press (AFP), a Apple é a primeira empresa a superar os US$ 800 bilhões em valor de mercado. De acordo com o índice da Forbes, ela está em primeiro lugar como a marca mais valiosa do mundo, deixando para trás, Google, Facebook, Microsoft e Coca-Cola.

Uma região que ressignifica o conceito de tecnologia

Quando você anda pelas ruas de Cupertino, conversa com os moradores e visita a rua que Steve Jobs morou fica mais fácil entender as conquistas daquela marca e o prestígio ao longo dos anos. A casa que pertenceu ao ex-CEO da Apple nos últimos 20 anos de sua vida não foi transformada em museu ou coisa parecida. É apenas um lugar silencioso e encantador com flores e árvores que fazem sombra na primavera.

Apoiado na grama muito verde do local, uma placa com os seguintes dizeres: “Não importa de onde você é. Estamos contentes em ser seu vizinho”. Ao ler, fiquei algum tempo observando aquele lugar e buscando entender como seria viver lá.

Obra tem milhares de árvores plantadas e energia solar como fonte principal de energia
Crédito: Alysson Lisboa/Simi

Alguns acusam a tecnologia de tornar as pessoas mais frias e distantes. Mas não foi bem isso que pude perceber visitando a cidade de Cupertino e toda a região do Vale do Silício. Mesmo não convivendo cotidianamente naquela região, foi possível testemunhar a sutileza dos hábitos e a pequena velocidade do tempo.

Foi possível imaginar como seria a convivência diária entre aqueles que pavimentam o mundo trabalhando nas inúmeras empresas de tecnologia e inovação da região. Velocidade dos dados, crescimentos exponenciais de startups que surgem e se reinventam a cada momento. Em Cupertino convive-se com dois tempos: Um espaço acelerado da inovação e outro, bem mais lento, de contemplação, convivência e lazer.

#appleFavoritar

Sobre o autor
Alysson Lisboa Neves Jornalista

Jornalista formado pelo Uni-BH, Especialista em Produção em Mídias Digitais pelo IEC PUC Minas e Mestre em Comunicação Digital Interativa pela Universitat de Vic, Espanha. Mais de 20 anos de experiência em mídia impressa e digital, com passagem pelos jornais Hoje em Dia e Estado de Minas. Na Revista Encontro desempenhou a função de editor de novas mídias, coordenador da equipe digital e colunista. É também especialista em desenho de jornais e revistas em tablets e smartphones. Foi professor de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte - Uni-BH. É professor de pós-graduação no IEC PUC Minas e de Empreendedorismo no Cotemig. É palestrante nas áreas ligadas ao jornalismo digital, novas mídias, inovação em desenho de jornais e revistas, redes sociais e marketing digital. É colunista do Portal Uai e consultor de novas mídias e marketing digital.

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