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Alysson Lisboa Neves Jornalista
28/Feb/2019 - 14h12 - Atualizado em 28/Feb/2019 - 15h00

Os negócios na nova economia pedem "coopetição"

De concorrentes a parceiros: como você pode se beneficiar das novas parcerias entre empresas


Por Alysson Lisboa Neves
O Bell Nexus é um veículo que pode ser utilizado, no futuro, em serviços de transporte aéreo, como o UberAir
Crédito: Em branco

O livro Co-opetição, de Adam Brandenburger e Barry Nalebuff, não é tão recente assim. Ele foi publicado na década de 1990. Já naquela época os autores discutiam as transformações de associações e acordos entre concorrentes no mundo empresarial. Atualmente, o termo passou a ganhar força. Estudos recentes da Columbia University, nos Estados Unidos, mostram isso.

Quando pensamos em concorrentes no setor de automóveis, por exemplo, é fácil responder que a Fiat compete com a GM, Toyota, Renault e assim por diante. Mas novos concorrentes das tradicionais indústrias automobilísticas começam a surgir, como a Google e a Apple. Ambas as empresas estão desenvolvendo tecnologia de transporte autônomo, mas não dominam o processo de produção. Por que não então juntar o conhecimento que as montadoras têm de seu negócio há mais de um século com empresas de base tecnológica que estão despontando nesse mercado?

A Volvo, mundialmente conhecida pela segurança de seus automóveis, muito possivelmente poderá fornecer segurança como um produto para as novas indústrias de transporte, e não necessariamente um veículo. A distinção entre concorrente e parceiro está realmente se dissolvendo. Outro exemplo que pode nos ajudar a entender essa mudança é a indústria do livro.

Várias livrarias fecharam suas portas no Brasil e no mundo e muitas estão atoladas em dívidas. Grande parte disso se dá, segundo eles, pela entrada de competidores como a Amazon. A maior livraria on-line do planeta tem com as editoras uma relação de amor e ódio, ou seja: ao mesmo tempo que conseguem vender seus livros por meio da Amazon, também sofrem a concorrência dos leitores de livro como o Kindle, o que aquece o mercado digital e reduz, sensivelmente, a impressão e distribuição por meio físico.

Amazon - Inimiga ou parceira das grandes editoras de livros

Outro ponto precisa também ser levantado. O Google é um grande repositório de publicações gratuitas, mas é também um mecanismo para a descoberta de conteúdo pago. Os jornais e revistas entendiam que o Google poderia ser uma ameaça aos seus negócios. Atualmente, compreendem que o buscador pode ser converter em um importante parceiro.

A visibilidade de grande escritor, via de regra, era conquistada pela difusão de seus livros impressos e sua aparição em lançamento e noites de autógrafos. Atualmente, grandes escritores estão se convertendo em mídia e muitos estão entendendo que podem, sozinhos, editar, publicar e vender os próprios livros - uma mistura de competição, cooperação e colaboração e o fim da intermediação.

Sequência de valor competitivo

Um laptop, fabricado pela Lenovo, por exemplo, requer, obrigatoriamente, um sistema operacional como o Microsoft Windows e um processador, geralmente da Intel ou AMD. Essas empresas parceiras fornecem elementos que possibilitam a comercialização do produto e o uso pelo consumidor. Essa sequência de valor é cada vez mais comum no mundo da tecnologia. Outro exemplo é o sistema operacional Android. Ele é base para que desenvolvedores possam criar aplicativos e também para que fabricantes de smartphones, como Motorola, LG e Samsung possam comercializar seus aparelhos. O Google, por sua vez, ganha na difusão de seu sistema operacional, na aproximação com os desenvolvedores - observando e atentando para suas demandas e também na difusão dos aplicativos nativos, como e-mail, mapas e tantos outros, baseados nessa estrutura.

O Google recebe parte da venda dos aplicativos em suas lojas de aplicativos, recebe dos desenvolvedores o pagamento para que possam se especializar (certificar) no uso do sistema operacional e também recebe dos fabricantes pelo uso de seu sistema embarcado nos aparelhos celulares. Trata-se de um mercado em que todas as pontas ganham e todas precisam trabalhar de modo sincrônico para gerar valor ao cliente, parte mais importante do processo.

A desintermediação, eu mídia

Outro exemplo importante que vem surgindo no mundo do entretenimento é a desintermediação. Canais de televisão como a HBO disponibilizava seus filmes em parceria com a Net, Oi TV e tantas outras operadoras de TV a cabo. O que podemos ver agora é a que tais canais estão criando seu próprio sistema de distribuição de conteúdo, levando assim, ao fim do intermediário. Chamado de HBO Now, o consumidor não precisa mais de assinar um canal de TV a cabo para ter acesso às produções da HBO.

Muitas empresas jornalísticas, de olho nessa mudança e na fragilidade crescente do atravessador, optaram por dar holofotes aos seus jornalistas e colocá-los no centro do processo midiático. O consumidor passa a referenciar o jornalista e segui-lo nas redes sociais, perdendo assim a vinculação direta com a empresa jornalística. Essa mudança possibilita que a empresa participe ativamente da intermediação entre o consumidor de conteúdo e o produtor. O nome, a marca do jornal ou da revista perdem destaque e o jornalista ganha visibilidade. Parece que nesse momento que atravessamos o importante mesmo é gerar valor para o consumidor e deixar as marcas em segundo plano. Você concorda?

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Sobre o autor
Alysson Lisboa Neves Jornalista

Jornalista formado pelo Uni-BH, Especialista em Produção em Mídias Digitais pelo IEC PUC Minas e Mestre em Comunicação Digital Interativa pela Universitat de Vic, Espanha. Mais de 20 anos de experiência em mídia impressa e digital, com passagem pelos jornais Hoje em Dia e Estado de Minas. Na Revista Encontro desempenhou a função de editor de novas mídias, coordenador da equipe digital e colunista. É também especialista em desenho de jornais e revistas em tablets e smartphones. Foi professor de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte - Uni-BH. É professor de pós-graduação no IEC PUC Minas e de Empreendedorismo no Cotemig. É palestrante nas áreas ligadas ao jornalismo digital, novas mídias, inovação em desenho de jornais e revistas, redes sociais e marketing digital. É colunista do Portal Uai e consultor de novas mídias e marketing digital.

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