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Alysson Lisboa Neves Jornalista
03/Sep/2018 - 14h00 - Atualizado em 20/Sep/2018 - 11h28

Os robôs vão ensinar bons modos a nossas crianças?

Nova tecnologia, tema de debate durante o ID 360, mostra que os robôs vão receber comandos de voz, desde que você peça "por favor"


Por Alysson Lisboa Neves

Nossas famílias estão cada vez menos numerosas - na década de 1960 a média de filhos era de 6 por família e hoje não passa de dois. Os pais estão trabalhando dois horários, a escola passou a ter um papel ainda mais importante na educação de jovens e crianças. Acolher e ensinar para além das disciplinas curriculares.

Estamos prestes a ganhar um aliado que pode ajudar nossas crianças inclusive nos exercícios em casa. Com a crescente onda da "robotização" do mundo e sistema de reconhecimento de voz cada vez mais confiáveis, a rotina de fazer buscas na internet, tirar dúvidas mais complexas e perguntar sobre qualquer assunto será uma tarefa natural no cotidiano dos lares em planeta - e em pouquíssimo tempo. O Google Home ou o Alexia da Amazon são alguns dos aparelhos que recebem comandos de voz que vão desde "Ok, Google. Qual o clima hoje na minha cidade?"; até a respostas para questões matemáticas mais complexas, passando por assuntos ligados à história, física, geografia etc.

E-ducação gerada por máquinas

No entanto, alguns desses sistemas já começam a responder tais questões desde que peça com educação. As máquinas inteligentes podem simplesmente ignorar um comando de voz se não pedirmos "por favor". Será que perguntar: "Ok Google, qual a cotação do dólar hoje?" será suficiente ou teremos que pedir "por favor"? Especialistas já falam que as condutas dessas máquinas inteligentes farão o trabalho de "educar" os usuários para pedirem sempre utilizando expressões como "por favor" e "muito obrigado". Desse modo, seremos "educados" por máquinas e vamos inaugurar um novo tipo de formalidade comandada por bots. Seria a e-ducação?

Esses novos aparelhos funcionam por comando de voz
Crédito: Internet/Reprodução

A discussão ética sobre o uso da voz para solicitar serviços, a substituição do homem pelas máquinas e o resultado de tantos aparelhos ligados à internet, com  certeza, trazem novas discussões no campo jurídico e até pedagógico. As máquinas são capazes de criar uma conduta ou um tipo de linguagem universal? Nossas crianças serão submetidas à uma lógica computacional que pode ser diferente da linguagem que ela aprende em casa?

Um novo modo de fazer buscas

O certo é que até 2020 nosso modo de fazer buscas no Google vai mudar radicalmente. Relógios inteligentes e smartphones realizarão comandos por meio da nossa voz. Será possível, em um futuro breve, solicitar que aparelhos como televisores, geladeiras, banheiras de hidromassagem e luzes das nossas casas sejam acionadas apenas por comando de voz. Vamos pedir sugestões de comida, qual melhor filme para assistir a partir do nosso perfil e histórico e qual lugar devemos passear nas próximas férias. Tudo isso regado a uma infinidade de dados e aprendizado de máquina baseado nos nossos gostos, preferências e históricos de compra.

Teremos bots conversando com a gente para transações bancárias - BIA do Bradesco é o mais atual exemplo disso. Utilizaremos nossos smartphones cada vez mais para assistir a filmes do que teclar para buscar informação. Seremos movidos à fala e sensíveis aos nossos gostos. Você está preparado para um mundo assim? A IBM chama isso de processamento de linguagem natural. Esteja preparado, pois esse futuro já chegou!

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Sobre o autor
Alysson Lisboa Neves Jornalista

Jornalista formado pelo Uni-BH, Especialista em Produção em Mídias Digitais pelo IEC PUC Minas e Mestre em Comunicação Digital Interativa pela Universitat de Vic, Espanha. Mais de 20 anos de experiência em mídia impressa e digital, com passagem pelos jornais Hoje em Dia e Estado de Minas. Na Revista Encontro desempenhou a função de editor de novas mídias, coordenador da equipe digital e colunista. É também especialista em desenho de jornais e revistas em tablets e smartphones. Foi professor de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte - Uni-BH. É professor de pós-graduação no IEC PUC Minas e de Empreendedorismo no Cotemig. É palestrante nas áreas ligadas ao jornalismo digital, novas mídias, inovação em desenho de jornais e revistas, redes sociais e marketing digital. É colunista do Portal Uai e consultor de novas mídias e marketing digital.

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