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Alysson Lisboa Neves Jornalista
05/Sep/2016 - 10h36 - Atualizado em 22/Jun/2018 - 14h03

Por que não ganhei o Startup Weekend BH?

Participei da última edição do Startup Weekend, em BH. Durante três dias pude vivenciar de perto a rotina do empreendedor


Por Alysson Lisboa Neves

É preciso inovar

Cada um de nós nasce com uma série de competências de fábrica. Alguns são mais articulados, outros mais espertos; outros, ainda, mais inteligentes. No entanto, a maioria das competências humanas podem ser aprendidas e melhoradas ao longo da vida. O local onde vivemos influencia não apenas em nossas escolhas diretas, mas também no modo como lidamos com os problemas cotidianos.

Participei da última edição do Startup Weekend, em Belo Horizonte. Durante três dias pude vivenciar de perto a rotina de pessoas que, assim como eu, têm o sonho de abrir o próprio negócio. Empreender requer, além de tudo, o dom da competência. Ela precisa estar à flor da pele para ser possível mostrar um problema e vender a solução para quem pode comprar.

Coragem é um elemento, em tempos de startups, que não pode faltar a nenhum aventureiro que se arrisque na complexa teia do empreendedorismo com base em tecnologia. A coragem que falo aqui vai muito além do rompimento com o medo, algo até natural nas espécies. Falo de outra coragem, aquela que permite extrapolar os limites: fazer um papel mais arrojado e arriscado na busca por mostrar que um projeto é viável com sólida proposta de valor.

O time vencedor do SWBH 2016 se mostrou assim. Logo na manhã de sábado era visível perceber que algo acontecia na sala 2 do Seed, prédio cedido para a realização do evento. O time formado por jovens, que não passavam dos 20 e poucos anos, vendia cerveja gelada, batatas fritas e sucos de caixinha. Essa era a estratégia para mostrar a viabilidade do projeto que seria conhecido, mais tarde, pelos participantes. A ação corajosa não estava prevista no escopo do evento, no entanto também não era proibida.

Resultado. Mais de mil reais em vendas em menos de 24 horas. Pronto! Conquistaram os jurados e levaram o primeiro lugar. Enquanto quase a totalidade dos outros times caminhava pelo modelo tradicional de validação de negócios, a Saved Food foi além. Isso é ter coragem! Não apenas pularam de cabeça do penhasco rumo ao desconhecido, como também foram brincando em transformar uma ideia em negócio real, ali mesmo.

O que falta para a maioria dos jovens que buscam empreender no Brasil é exatamente isso. Vontade e uma boa ideia não são o bastante. Quando falamos de startups parece que se trata de uma janela mágica na qual ideias brilhantes e um pouco de dedicação são suficientes, mas não é assim. É necessário resiliência e muita coragem mesmo! Tudo vai jogar contra. Todos os amigos vão desconfiar. Chamam você de louco e não enxergam valor no que você está tentando produzir.

Pode ser que seu projeto realmente não funcione. Você precisará pivotar - repensar a ideia inicial e mudar os planos - mas isso faz parte do aprendizado. Errar e ajustar o prumo são características fortes desse modelo de trabalho. Levantar e agir a cada erro encontrado ou a cada dificuldade são as únicas maneiras de o projeto crescer e se manter. Mais de 90% das empresas que estão nessa fase desistem de continuar. No entanto, é inevitável seguir em frente quando você tem um sonho. Assim pensou Gates, Jobs e tantos outros empreendedores. Perseverar é contradizer todo mundo, trabalhar muito e comemorar cada pequena vitória.

#swbh16#empreendedorismo#inovação#startupsFavoritar

Sobre o autor
Alysson Lisboa Neves Jornalista

Jornalista formado pelo Uni-BH, Especialista em Produção em Mídias Digitais pelo IEC PUC Minas e Mestre em Comunicação Digital Interativa pela Universitat de Vic, Espanha. Mais de 20 anos de experiência em mídia impressa e digital, com passagem pelos jornais Hoje em Dia e Estado de Minas. Na Revista Encontro desempenhou a função de editor de novas mídias, coordenador da equipe digital e colunista. É também especialista em desenho de jornais e revistas em tablets e smartphones. Foi professor de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte - Uni-BH. É professor de pós-graduação no IEC PUC Minas e de Empreendedorismo no Cotemig. É palestrante nas áreas ligadas ao jornalismo digital, novas mídias, inovação em desenho de jornais e revistas, redes sociais e marketing digital. É colunista do Portal Uai e consultor de novas mídias e marketing digital.

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