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Alysson Lisboa Neves Jornalista
01/Dec/2017 - 13h23 - Atualizado em 01/Dec/2017 - 15h59

Você tem resistência ao novo e dificuldade em mudar rotinas e métodos de trabalho?

Nossas escolhas são desenvolvidas a partir das crenças pessoais. O avanço da neurociência ajuda a entender o comportamento da mente do inovador


Por Alysson Lisboa Neves Belo Horizonte

Então, se você tem medo saiba que não está sozinho. Com o avanço da neurociência, os cientistas estão decifrando não apenas o comportamento humano, mas também como nossas escolhas pessoais afetam enormemente a gestão das empresas. Esse é um problema que assola velhos e novos líderes. Mas como desenvolver a mudança no jeito de pensar?

Cri Minas da FDC

Último ciclo de palestra do ano no Centro de Referência a Inovação da Fundação Dom Cabral

Alysson Lisba/Simi

Pessoas com mindset fixo são aquelas que se preocupam com o julgamento de terceiros e, por se sentirem ameaçadas, evitam os desafios. Situações que podem levar ao fracasso são rapidamente abandonadas. Mas, em um cenário de imensa incenteza no qual vivemos hoje, arriscar mais virou questão de sobrevivência.

Por outro lado, as pessoas com mindset de crescimento são propensas a novos desafios. Entendem que o erro é o caminho mais curto para o aprendizado e, consequentemente, a excelência no trabalho. “A falha é o sucesso em progresso”, afirma Solange Mata Machado, professora da Fundação Dom Cabral (FDC), PhD em Neurociência. Ela participou do último ciclo de 2017 do Centro de Referência ao Empreendedorismo - CRI-MG, realizado pela FDC.

Com o tema: Neurociências: uma nova forma de entender o comportamento e a mente do inovador, a especialista levantou importantes questões como o medo natural que temos pelo desconhecido. Nossa mente está preparada para manter em curso o que já é conhecido. Cada novo desafio desperta um sinal de alerta na mente e novas sinapses precisam acontecer para apreender o conhecimento. Isso, naturalmente, gera medo e apreensão. O medo causa paralisia e dentro das empresas trava a inovação disruptiva.  

“Por que os processos de inovação dentro das empresas, de modo geral, são tão bem estruturados e os resultados são tão pífios?”. A professora Solange explica que a resposta pode estar na grande gerência e como ela entende a inovação. Acostumados a repetir processos antigos, os líderes não aceitam ou criam resistência para aquilo que não conhecem. (veja entrevista com a pesquisadora abaixo)

Erros são parte do aprendizado

Pesquisas apontam que os líderes são muito focados na própria reputação e 2/3 deles têm preocupação com reconhecimento e sucesso profissional. Esses podem ser os motivos das escolhas mais conservadoras por parte dos gestores das grandes empresas. É muito comum ouvir dos líderes: “sempre fiz assim e sempre deu certo”, mas o que se sabe hoje é que a mudança constante e cada vez mais ligeira do mundo, pensar em ideias constantes e manter processos por longos períodos pode significar riscos muito sérios às marcas.

O exemplo mais emblemático é o caso da Kodak. A gigante da indústria fotográfica em seu auge chegou a ter 140 mil funcionários e valia US$ 30 bilhões. Atualmente, seu valor de mercado não ultrapassa US$ 145 milhões. O erro foi não investir na tecnologia digital que emergia e deixar de aprender com os erros que fatalmente aparecem em toda nova tecnologia. Caso isso ocorresse, faria toda a diferença na Kodak.

Podemos nos tornar cada dia mais inteligentes?

“Ele é mais inteligente que eu!”. Essa é mais uma crença limitante que nos coloca no lugar de inferior, de incapaz. Temos a capacidade de desenvolver qualquer habilidade. Neymar, um dos jogadores mais bem pagos do mundo, não tinha habilidade com a perna esquerda logo que começou a treinar, ainda criança. O técnico queria que ele desenvolvesse a habilidade de bater escanteios somente com a perna direita, seu pai foi contra. O treinamento constante fez dele um exímio batedor de faltas também com a perna esquerda.

Analogicamente, precisamos entender que nosso cérebro funciona como um músculo. Quanto mais você exercitá-lo, maior serão as possiblidades de novas conexões. “Podemos aprender até o último dia de nossas vidas, porque produzimos neurônios até o fim da existência”, completa a especialista Solange Mata Machado.

iNFOGRAFIA

Como mudar a cultura das empresas?

Temos medo do novo e somos desafiados diariamente a buscar soluções criativas dentro das organizações. É muito comum que áreas de inovação muitas vezes não levem a cabo as ideias de seus colaboradores. Isso ocorre por que as lideranças são dotadas fortemente de um mindset fixo. A solução para isso está na mudança de cultura das lideranças. Tal consciência precisa partir de um movimento de cima para baixo. Somente assim o lider vai se abrir para entender que ideias - muitas vezes nem tão brilhantes - podem levar a outras ideias que, mais tarde, converterão em soluções criativas para velhos problemas.

O futuro das organizações não está na exaltação do erro. Ninguém gosta ou sente prazer em errar, mas a aceitação do erro como um processo de crescimento e aprendizado torna os colaboradores mais encorajados em arriscar e, assim, mudar o mindset fixo para o mindset de crescimento. E isso faz toda diferença para a perenidade das empresas. Pensem nisso!

 

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Sobre o autor
Alysson Lisboa Neves Jornalista

Especialista em produção em mídias digitais e mestre em comunicação digital interativa pela Universidad de Vic, Espanha. Mais de 20 anos de experiência em mídia impressa e digital, tendo passado pelos jornais Hoje em Dia e Estado de Minas. Na Revista Encontro desempenhou a função de editor de novas mídias, coordenador da equipe digital e colunista. É também especialista em desenho de jornais e revistas em tablets e smartphones. Foi professor de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte - Uni-BH. Professor de pós-graduação no Centro Universitário Una. É palestrante nas áreas ligadas ao jornalismo digital, novas mídias, inovação em desenho de jornais e revistas, redes sociais e marketing digital. É colunista do Portal Uai e consultor de novas mídias e marketing digital.

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