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Alysson Lisboa Neves Jornalista
26/Sep/2018 - 14h00 - Atualizado em 01/Oct/2018 - 13h21

Setor automobilístico vive momento disruptivo

Pesquisas mostram mudanças profundas no mercado de carros. A cultura do compartilhamento chegou para reconfigurar esse setor


Por Alysson Lisboa Neves

Você caminha pela cidade rumo ao trabalho quando começa a chover. Nada melhor que pegar um carro e continuar o trajeto sem se molhar, não é mesmo? E se você fizer isso alugando um carro que está estacionado na rua? Você está indo para o aeroporto pegar seu voo e se conecta a um turista que está desembarcando no mesmo aeroporto. Que tal deixar seu carro com ele, ganhar diárias e ainda não se preocupar com o pagamento de estacionamento?

Tudo isso pode parecer uma utopia nos dias atuais, mas o mercado de compartilhamento de carros já começa a virar realidade em várias partes do mundo. Em pesquisa realizada em 2017 pela McKinsey, 67% dos entrevistados afirmam que estão dispostos a compartilhar veículos nos próximos anos. Os mais jovens não acham isso tão estranho quanto parece, afinal, para grande maioria deles, o carro é apenas um meio de transporte e não um status.

Ainda temos muito forte a cultura da posse de bens. Mas a tendência de compartilhamento de veículos começa a mostrar que é viável. Na China, Europa e Estados Unidos – o mercado de mobilidade compartilhada já representa quase 54 bilhões de dólares, isso somente em 2016. Apesar de ser um mercado que ainda engatinha, algumas startups estão de olho no crescimento desse setor como o caso da Parpe, Pegcar e Car2Go. As startups estão desafiando o status quo e mudando o modelo de aluguel de carros.

Apesar de tímido, apenas 30% das distâncias percorridas pelos veículos é realizada com esse tipo de negócio, muito já está sendo pensando nesse setor. Além do confrontar o setor de aluguel de automóveis, fábricas de carros também estão se adaptando. É possível que surjam novas linhas de montagem com veículos de baixa motorização, acabamentos mais simples e maior durabilidade das peças.

Segurança é ponto-chave

O brasileiro tem muito apego aos seus veículos. Gostamos de cuidar, lavar aos finais de semana e mantemos em dia a manutenção e conservação. O carinho e cuidado nunca serão os mesmo quando realizado por terceiros, mas essa é também uma questão cultural. Não tínhamos muita confiança em ficar hospedado em casas de estranhos, mas o AirBnb vem mudando tal percepção.

Com os aplicativos de compartilhamento é possível saber, em tempo real, onde está o seu carro. É possível também limitar geograficamente para apenas áreas urbanas, acompanhar a velocidade média e até receber notificação em caso de multa. A automação será ponto forte. Em alguns modelos de veículos já é possível a abertura de portas e a partida do motor de modo remoto usando  um celular. Mas para a grande maioria dos modelos, isso é ainda um problema. Como pegar a chaves e como devolvê-la ao verdadeiro dono? Em pesquisa realizada com millennials nos Estados Unidos, cerca de 30% deles não querer possuir um automóvel. Preferem compartilhar viagens ou utilizar serviços como Uber e Cabify.

Setor automobilístico de olho nessa transformação

Em 2015, a indústria de automóveis faturou 59 bilhões de dólares, O Brasil é hoje o 10º maior mercado em fabricação e vendas de carros. Em 2016, foram produzidos 1,77 milhão de automóveis no Brasil. Mesmo forte, essa indústria  já se prepara para uma mudança em seu modelo de negócios. importantes fabricantes já articulam operações, inclusive no Brasil, para que o aluguel de carros também sejam realizados diretamente nas concessionárias. Você pode alugar um carro pagando mensalmente ou fazendo contratos de um ano. Depois desse período é possível trocar por um modelo mais novo, devolver ou até comprar o veículo usado.

Essa lógica de “venda de performance” ou aluguel com opção de compra já acontece com a Porsche e a Mercedes-Benz. Não é preciso se preocupar com revalidação de seguro, impostos e sofrer com a desvalorização dos automóveis ano após ano. O mais interessante disso é que estaremos consumindo veículos mais resistentes e também poderemos variar de modelos quando bem quisermos, sem a necessidade de vender e comprar outro.

Os veículos serão melhores?

Fábricas passam a operar frotas e os fornecedores de peças precisam mudar seu modelo de trabalho para dar conta de uma demanda descentralizada. Uma vez que o veículo estará sendo consumido por mais de uma pessoa e muitas vezes a manutenção será feita pela concessionária. É um ótimo momento para testar e melhorar a durabilidade de peças, além de testar novos modelos de carros, mais simples e funcionais.

O caminho que nos leva do trabalho até a casa pode ser constante. Mas o modo que isso irá acontecer já está se transformando. Como fica a questão do seguro? Resta saber: Você, alugaria seu carro?

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Sobre o autor
Alysson Lisboa Neves Jornalista

Jornalista formado pelo Uni-BH, Especialista em Produção em Mídias Digitais pelo IEC PUC Minas e Mestre em Comunicação Digital Interativa pela Universitat de Vic, Espanha. Mais de 20 anos de experiência em mídia impressa e digital, com passagem pelos jornais Hoje em Dia e Estado de Minas. Na Revista Encontro desempenhou a função de editor de novas mídias, coordenador da equipe digital e colunista. É também especialista em desenho de jornais e revistas em tablets e smartphones. Foi professor de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte - Uni-BH. É professor de pós-graduação no IEC PUC Minas e de Empreendedorismo no Cotemig. É palestrante nas áreas ligadas ao jornalismo digital, novas mídias, inovação em desenho de jornais e revistas, redes sociais e marketing digital. É colunista do Portal Uai e consultor de novas mídias e marketing digital.

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