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Alysson Lisboa Neves Jornalista
04/Jan/2019 - 10h04 - Atualizado em 04/Jan/2019 - 11h46

Sua empresa estimula a criatividade dos funcionários?

Precisamos preparar os colaboradores para enfrentar problemas que ainda nem existem, mas vão impactar os negócios em poucos anos


Por Alysson Lisboa Neves



Diferentemente do que se pensava, a criatividade não é uma característica inata do indivíduo. Claro que algumas pessoas são mais criativas que as outras naturalmente, mas essa habilidade pode ser adquirida, praticada e desenvolvida pelo uso de técnicas. A criatividade aumenta e estimula as habilidades inerentes de cada indivíduo e o interessante de tudo isso é que desenvolver as habilidades resulta, geralmente, em uma ampliação do espectro de alternativas para solução de problemas, o que é sempre bom e um ambiente empresarial cada vez mais competitivo. Esse conceito foi abordado no livro: Gestão da Tecnologia e Inovação, de João Roberto Loureiro de Mattos e Leonam dos Santos Guimarães, e reflete bem a importância da implantação de uma cultura criativa dentro das empresas.

A busca por inovação e a criação de ambientes inovadores têm sido uma constante dentro das empresas. A criatividade é o vetor da inovação que, por sua vez, pode gerar novos produtos e processos. Portanto, se o objetivo é construir um ambiente inovador dentro das empresas é preciso permitir que seus colaboradores desenvolvam a capacidade criativa. O Google permite aos seus colaboradores que dediquem 20% do tempo de trabalho a atividades que desenvolvam qualquer tipo de ação criativa. Os gestores de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo perceberam que essa “liberdade” é fundamental para que os funcionários possam encontrar soluções mais inovadoras para problemas e para propor novos produtos.

A criatividade é libertária. Ela precisa de ambiente e de uma política nas empresas que valorizem as novas ideias, mesmo aquelas que não são aplicáveis em um primeiro momento. A criatividade combinatória pode somar várias ideias e, assim, gerar insights para que respostas mais criativas sejam apresentadas. É como se a chuva de ideias (brainstorm) funcionasse como adubo para proposições mais frutíferas. Mas, afinal, o que trava a criatividade dentro das empresas? Não são apenas o ambiente fechado, divisórias e uma hierarquia verticalizada que impedem o surgimento de um ambiente criativo.

Bloqueios limitam a habilidade para enfrentar desafios

Além do espaço físico, os bloqueios criativos nascem por percepções naturais ou por ausência de autoconfiança. Alguns indivíduos são muitos sensíveis a críticas e, assim, evita se arriscar na proposição de ideias. Outro grupo de indivíduos tende ao conformismo e considera que as mudanças não darão certo, limitando assim sua capacidade criativa. Existem colaboradores que não conseguem mudar o mindset para pensar de modo diferente antigas rotinas e processos. Eles têm uma necessidade intrínseca em vivenciar o que já é conhecido, pois desejam mais a segurança do ambiente conquistado, que a mudança pelo novo. Pessoas acima dos 50 anos, de modo geral, são a maior parcela.

Inovação requer mudança de cultura

Não adianta pensar que a criatividade é uma instituição que vai dominar os corredores da empresa após a pintura das paredes por cores vibrantes, piscina de bolinha e post-its espalhados por todos os lados. Comprar um violão não faz ninguém um músico. É preciso treino. Mas como treinar os colaboradores para uma cultura de inovação?

Em primeiro lugar, não espere resultados rápidos e mensuráveis a curto prazo. A criatividade é um bicho solto que deve permear todas as esferas da empresa, inclusive a diretoria. Os gestores precisam participar ativamente do processo e não limitar, intimidar ou restringir qualquer movimento favorável. Devem reservar uma parcela do faturamento - assim como fazem para o marketing, por exemplo - para que seja possível trazer agentes externos, colaboradores, consultores. Para que sejam realizadas visitas técnicas e seja possível dar abertura para startups apresentarem soluções alinhadas ao negócio.

Ativar um comitê de inovação nas empresas pode gerar uma rotina interessante, mas é preciso tomar cuidado para que a chuva de ideias e proposição de soluções não se perca. Todo processo de inovação precisa de uma metodologia para sistematizar o que se aprende, como o Business Model Canvas, Canvas Proposta de Valor e o Funil de Inovação. Tais ferramentas possibilitam uma maior absorção do que se discute, evitam esforço indisciplinado que traduz-se em falta de objetividade e efetividade. Estruturar as ideias é dar sentido a elas e mostrar claramente quais soluções podem ser desenvolvidas e implantadas. Então, sua empresa está pronta para mudar? Ou você considera que a revolução digital ainda não impactou seu negócio?

#criatividadeFavoritar

Sobre o autor
Alysson Lisboa Neves Jornalista

Jornalista formado pelo Uni-BH, Especialista em Produção em Mídias Digitais pelo IEC PUC Minas e Mestre em Comunicação Digital Interativa pela Universitat de Vic, Espanha. Mais de 20 anos de experiência em mídia impressa e digital, com passagem pelos jornais Hoje em Dia e Estado de Minas. Na Revista Encontro desempenhou a função de editor de novas mídias, coordenador da equipe digital e colunista. É também especialista em desenho de jornais e revistas em tablets e smartphones. Foi professor de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte - Uni-BH. É professor de pós-graduação no IEC PUC Minas e de Empreendedorismo no Cotemig. É palestrante nas áreas ligadas ao jornalismo digital, novas mídias, inovação em desenho de jornais e revistas, redes sociais e marketing digital. É colunista do Portal Uai e consultor de novas mídias e marketing digital.

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