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José Luis Braga Professor orientador do IETEC-MG
20/Feb/2018 - 16h16 - Atualizado em 22/Feb/2018 - 13h37

Sucesso em startups

Seria bom se tivéssemos a fórmula pronta para o sucesso em qualquer empreendimento, eliminando os riscos que surgem da sua criação até seu sucesso


Por José Luis Braga

Seria muito bom se tivéssemos a fórmula pronta para o sucesso em qualquer empreendimento, eliminando os riscos e percalços que certamente vão surgir na trajetória, da sua criação até o sucesso de mercado. Mas a realidade é dura, e os números são desanimadores. Em pesquisa rápida na web, aparecem alguns números: 74% das startups fecham em até 5 anos, e 25% fecham no primeiro ano, no Brasil. E esses números se verificam em outros países, como por exemplo nos EUA, onde as condições são muito mais favoráveis aos novos negócios, 70% das startups fecham entre o quinto e o sétimo ano de existência, apenas 30% logram ter algum sucesso. Tive um exemplo recente no Brasil com a Podcycle, uma startup que eu havia apoiado no portal de crowdfunding Catarse. O produto inovador era um veículo elétrico inteligente, e tiveram sucesso no apoio financeiro, bateram a meta estabelecida. Recebi a mensagem deles há alguns dias, dizendo que o projeto não vai ter continuidade, problemas de incompatibilidade interna entre os sócios do empreendimento.

Segundo artigo muito atual sobre o assunto (veja referência ao final), numa lista de oito fatores que devem ser observados ao criar e gerenciar uma startup na área de desenvolvimento de software, o fator interno à empresa mais importante se refere à sua equipe gerencial. Para pesquisadores do  MIT (Massachussets Institute of Tecnology), se um dos membros da equipe tem formação e experiência em vendas e marketing, as chances de sucesso aumentam muito. Esse profissional enxerga o mercado e entende melhor a inserção do produto inovador em seu nicho de mercado. Normalmente, startups dominadas por uma equipe totalmente tecnológica, acabam muito mais focadas no desenvolvimento e refinamento do produto, e depois não conseguem colocar esse produto no mercado, pensar nas vendas, nos clientes, nos investidores. Não adianta ter um produto que seja o fino da tecnologia, se não houver mercado para ele. A armadilha, neste caso, é ter um produto fantástico, mas não ter comprador para ele.

Os demais fatores citados no artigo são: mercado promissor e atrativo; um produto ou serviço promissor em termos de mercado; evidências fortes de interesse de consumidores no produto; preparo técnico para vencer a barreira da credibilidade no mercado, que é um processo de aprendizagem; demonstração convincente da capacidade de crescimento e geração de lucro; flexibilidade na estratégia e na tecnologia; demonstrar potencial para alto retorno de investimentos para os possíveis investidores. Cada fator desses merece reflexão e pelo menos mais um artigo, para início de discussão.  

Muitos dos fatores citados acima são também descritos em bons livros sobre empreendedorismo e inovação. Não são tanta novidade assim. Lembrem-se sempre de que inovação não acontece no estalo, da noite para o dia. Exige uma fase de criatividade, essencial para ter a visão e criar o produto foco, adquirir o conhecimento tecnológico, verificar viabilidade técnica. Para completar, o produto ou serviço tem que ir para o mercado e ser bem aceito, e aí caímos no choque de realidade, que é relacionado com a capacidade de realização da empresa e sua equipe. Envolve conhecimento do setor em que o produto se insere, conhecimento de mercado, perfil do cliente, análise econômica de investimentos, marketing para uma campanha de lançamento do produto, etc. O sonho tem que ir para a rua.

Artigo inspirador: Michael A. Cusumano. Technology strategy and management: evaluating a startup venture. CACM October 2013, pp-26-29. (Viewpoints)

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Sobre o autor
José Luis Braga Professor orientador do IETEC-MG

Professor orientador no Mestrado em Engenharia de Sistemas e Processos no IETEC-MG. Graduado em Engenharia Elétrica pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1976), mestrado em Ciências da Computação pela Universidade Federal de Minas Gerais (1980) e doutorado em Informática pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1990). Pós-doutoramento na University of Florida (1998-1999). Professor Titular aposentado do DPI – Departamento de Informática, UFV, 2013.

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