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Alysson Lisboa Neves Jornalista
11/Jul/2018 - 16h09 - Atualizado em 11/Jul/2018 - 16h34

Teste suas ideias em apenas cinco dias

Processo utilizado pelo Google ensina empresas sobre validação de projetos com poucos recursos e em poucos dias


Por Alysson Lisboa Neves

O robô Relay - desenvolvido pela empresa Savioke ganhou outros mercados além da rede hoteleira

Você já deve estar cansado de ouvir falar de metodologias como Canvas, Mapa da Empatia e tantos outros. O Sprint é mais um modelo, mas diferente dos demais. Além da estruturação visual na busca por soluções em empresas de qualquer porte, o trabalho gera soluções reais em poucos dias.

Dentro das empresas, inovação em processos, produtos e negócios é uma constante. E na maioria das vezes as soluções dependem de empenho e muitos meses de dedicação. Equipes bem estruturadas e muitos testes. Mas quando você lança o produto e ele é um fracasso de vendas? Quanto esforço foi jogado por água abaixo?

Pensando nisso, Jake Knapp, John Zeratsky e Branen Kowitz, colaboradores do Google, desenvolveram a metodologia que virou livro e já faz parte da rotina da empresa para testes iniciais de novos produtos. O Google Hangout começou assim. De um protótipo de videoconferência - testado internamente - para um produto finalizado e disponível em qualquer navegador web.

Mas como posso realizar o método Sprint na minha empresa?

A primeira coisa que você precisa fazer para utilizar a técnica Sprint é preparar sua equipe para cinco dias de imersão. Durante esses dias, muitas anotações e insights farão parte do cotidiano do seu time de desenvolvimento de ideias. E a corrida contra o tempo é o maior desafio. Portanto, escolha bem quem vai participar desse momento. Suponhamos que sua empresa tenha um problema com logística de entrega. É importante escalar pessoas que tenham conhecimento pleno sobre o assunto e outras de áreas afins que possam contribuir.

Primeiro dia

A segunda-feira é o momento ideal para realizar o mapeamento do desafio, ouvindo especialistas na busca por um alvo bem definido. Não é possível, em apenas alguns dias, resolver questões complexas como construção de um novo motor elétrico, por exemplo. O máximo que poderá ser produzido é um folder explicativo para apresentar o setor de vendas ou engenharia ou até a impressão de algumas partes em impressoras 3D. Neste dia, o time vai exteriorizar tudo o que eles sabem sobre a ideia.

O segundo dia do Sprint é perfeito para gerar ideias e inspirações e começar esboços. É o momento em que todo mundo rabisca as ideias. De modo individual, as pessoas colocam as coisas no papel. Aqui ainda não há discussão em grupo. É preciso esforço para entender como é possível solucionar pequenos problemas levantados até então. Ao final do dia, um sistema estruturado é construído e são votadas as melhores soluções.

Já estamos chegando na metade da semana. Como o Sprint é rápido, é possível que muita coisa tenha sido deixada de lado. O foco está na sexta-feira, quando a ideia deve ser testada. Por isso, o Sprint é tão eficiente para startups e empresas nascentes. No terceiro dia é hora de sentar e discutir as melhores soluções - filtrar as ideias e refiná-las para saber quais serão implantadas. Ao final do dia, é desenhado um plano para o protótipo elaborado por meio de um storyboard.

Na quinta-feira, penúltimo dia, é hora de prototipar. A administração do tempo é crucial para que o dia possa ser produtivo. Ao final do dia, a ideia deve estar desenhada e funcionando. Caso seja um site, por exemplo, ele pode ser desenhado de modo mais rudimentar, desde que as ideias e soluções sejam contempladas.

No último dia, é hora de ir a campo e mostrar o protótipo para os potenciais usuários/clientes do produto. É fundamental a interação do usuário com a solução e a coleta do maior número de feeedbacks sobre o que ele gosta e o que não gosta. Ouvir aqui é o que vai definir o futuro da solução.

Depois de realizada a tarefa, a equipe se reúne pela última vez e define se a ideia deve ser implantada ou não. Caso a resposta seja positiva, a solução ganhará robustez e um minucioso refinamento até se transformar em produto final.

O robô Relay, desenvolvido pela empresa Savioke, ganhou outros mercados além da rede hoteleira
Crédito: Savioke/Divulgação

A um passo de virar produto

No livro 'Sprint', de Jake Knapp, uma rede de hotéis viabiliza o teste de um robô que faz entrega de escovas de dente para os hóspedes. O sucesso e o retorno satisfatório dos clientes tornaram o produto comercialmente viável e um grande sucesso. O robô Relay, desenvolvido pela empresa Savioke, ganhou outros mercados além da rede hoteleira e virou um produto de sucesso. Então, o que você está esperando para tirar as ideias do papel e gerar soluções para seus negócios?

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Sobre o autor
Alysson Lisboa Neves Jornalista

Jornalista formado pelo Uni-BH, Especialista em Produção em Mídias Digitais pelo IEC PUC Minas e Mestre em Comunicação Digital Interativa pela Universitat de Vic, Espanha. Mais de 20 anos de experiência em mídia impressa e digital, com passagem pelos jornais Hoje em Dia e Estado de Minas. Na Revista Encontro desempenhou a função de editor de novas mídias, coordenador da equipe digital e colunista. É também especialista em desenho de jornais e revistas em tablets e smartphones. Foi professor de jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte - Uni-BH. É professor de pós-graduação no IEC PUC Minas e de Empreendedorismo no Cotemig. É palestrante nas áreas ligadas ao jornalismo digital, novas mídias, inovação em desenho de jornais e revistas, redes sociais e marketing digital. É colunista do Portal Uai e consultor de novas mídias e marketing digital.

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