Colunistas

< voltar
José Luis Braga Professor orientador do IETEC-MG
17/Sep/2018 - 10h58 - Atualizado em 20/Sep/2018 - 14h04

Transformação digital

Tecnologia, velocidade nas mudanças, investimento, profissionalização e oportunidades


Por José Luis Braga

O mundo passa por transformações quase que contínuas, empurradas pelos avanços tecnológicos. Do ponto de vista do digital, eu prefiro enxergar o começo de toda a mudança lá na Inglaterra do século XIX, na era Vitoriana, com a invenção do telégrafo. Essa tecnologia era analógica, mas seu impacto no mundo abriu outra perspectiva de velocidade na circulação de informações, na criação de infraestrutura para sua própria sobrevivência, da velocidade de disseminação e adoção pelas pessoas, governos, etc (vejam este artigo no meu blog, em que discuto a questão mais longamente).

O impacto do telégrafo sobre os negócios, pessoas e circulação quase que imediata de notícias foi enorme, durou muito tempo, e abriu um leque de oportunidades para inovação e novos modelos de negócios. Gradativamente, na medida em que os meios de comunicação foram avançando tecnologicamente, mudanças foram acontecendo e a sociedade se adaptando. Do telégrafo para o telefone foi um salto curto, e os dois conviveram pacificamente por muitos anos. Pulando um século adiante, ou um pouco mais, vamos cair no mundo da internet e na gradual substituição do telégrafo por seus sucedâneos sociais. O telégrafo foi perdendo seu lugar de destaque, cedendo espaço ao mais moderno, baseado em redes digitais que permitem o tráfego quase que imediato de dados. O telefone perdeu espaço mais devagar, e foram as redes de telefonia que possibilitaram o surgimento da internet, com as conexões discadas, lentas para os padrões de hoje, mas muito rápidas para os padrões da época.

Visão, profissionalização e investimento

Os visionários da época previam que em pouco tempo, dada a velocidade de mudança proporcionada pelos meios digitais e pela informação armazenada e difundida também na forma digital, seria possível conversar remotamente com pessoas, vendo as imagens em uma tela de computador. Isso não tem muito tempo que aconteceu, foi na década de 70, quando surgiram os primeiros protótipos. Daí em diante, foi tudo muito rápido, e hoje vemos a tão falada convergência digital acontecendo, focada nos celulares que trazemos no bolso ou na bolsa.  Um smartphone de hoje é ao mesmo tempo telefone, máquina fotográfica, filmadora, televisão, tradutor entre línguas, editor de texto, agenda, lista de contatos, leitor de livros, meio para utilização de um zilhão de aplicativos como redes sociais, compras, acesso a rede bancária, etc.

Todo esse rápido avanço afetou fortemente as empresas e seus modelos de negócio. Informatização, digitalização de acervos e dados, disponibilização de dados em formato eletrônico, vendas, transferências financeiras, contato com o cliente, concorrência muito mais esperta e mais rápida nas mudanças, pouco tempo de vida para produtos e serviços, etc. O mundo dos negócios exige, hoje, muita profissionalização e muito gasto financeiro para implementar, acompanhar e manter atualizadas as tecnologias necessárias. As empresas que não acompanham ou não acompanharam essas mudanças foram atropeladas por elas, e muitas fecharam as portas por terem perdido a janela de tempo de adoção da tecnologia. Foram adotar com enorme atraso, quando a maior parte da concorrência já estava em outro patamar tecnológico.

Cultura Organizacional e Porteira de Oportunidades

Mas não se iludam. Transformação digital, entendida aqui como o redesenho de cultura organizacional, dos processos de negócio e operações de TI com adoção de novas tecnologias, com o objetivo de melhor atender e tratar seus clientes e tornar os negócios mais competitivos, é obrigatória nos negócios, sob pena de colocar sua empresa fora dos trilhos, sem chance de recuperar o tempo perdido. E tem enormes custos associados, pois não basta construir uma interface para o usuário final, disponibilizar um aplicativo (app) para iOS ou Android, e estamos com o problema resolvido. É indispensável avaliar o  impacto nos processos internos que devem ser adaptados à mudança, a necessidade de digitalização de informações legadas (normalmente em grandes volumes), o treinamento dos colaboradores para conviverem no novo patamar de serviço e atendimento, a modernização de processos usando técnicas corretas, a avaliação de riscos associados ao negócio (perda de dados, invasão de privacidade, roubo de informações críticas, etc.), a montagem da infraestrutura tecnológica de apoio, o desenvolvimento ou aquisição de novos sistemas administrativos que suportem as mudanças. Tudo isso custa uma fortuna e provoca atrasos na adoção de tecnologias. A esmagadora maioria das empresas mundo afora ainda está longe de avançar para esse novo nível, e muitas estão sendo eliminadas (ou fecham as portas ou são adquiridas pela concorrência). Exemplos não faltam, no varejo, o sempre citado é a Amazon, que acaba de desembarcar no Brasil com força total.

Claro, abrem-se também janelas enormes de oportunidades para novos negócios, para a inovação e startups. Segurança de dados é uma das áreas críticas, ainda convivendo com técnicas que talvez não sejam adaptáveis às exigências atuais. O armazenamento e recuperação de grandes volumes de dados é outro enorme desafio, já em um formato que os deixe preparados para a próxima revolução que é o uso de dados para big data, e para habilitar a inteligência associada a negócios. Aí já não estamos falando mais de janela de oportunidades, estamos falando de porteira de oportunidades. Por falar em porteira, o setor de agronegócio é lotado de possibilidades para startups, e está em rápido desenvolvimento na área tecnológica.

#empreendedorismo#investimento#oportunidadesFavoritar

Sobre o autor
José Luis Braga Professor orientador do IETEC-MG

Professor orientador no Mestrado em Engenharia de Sistemas e Processos no IETEC-MG. Graduado em Engenharia Elétrica pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1976), mestrado em Ciências da Computação pela Universidade Federal de Minas Gerais (1980) e doutorado em Informática pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1990). Pós-doutoramento na University of Florida (1998-1999). Professor Titular aposentado do DPI – Departamento de Informática, UFV, 2013.

Comentários

As opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores, não serão aceitas mensagens com ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência. Clique aqui para acessar a íntegra do documento que rege a política de comentários do site.