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José Luis Braga Professor orientador do IETEC-MG
15/Oct/2018 - 11h55 - Atualizado em 17/Oct/2018 - 15h43

Transformação digital: já fez sua atualização de hoje?

A marca do mundo atual é a transformação digital. E você, como lida com ela?


Por José Luis Braga

O que fica claro em todas as revoluções tecnológicas que fazem parte da nossa história é que adotar ou não uma nova tecnologia é uma questão de tempo. Novas tecnologias têm um tempo ou curva de maturação, de difusão e adoção, que pode ser curto ou longo. Depende, em parte, dos meios para difusão e adoção. Hoje, esse tempo tende a ser curto pela enorme disponibilidade de meios de difusão, como a internet e as redes sociais. Em 1993, a internet, por exemplo, era a BITNET – lenta, linhas discadas, modems lentos – e era usada quase que exclusivamente para transmissão de texto, e-mail, fax e acesso a sites de texto puro. Baixar um artigo científico tinha que ser na madrugada. Hoje, 25 anos depois, a internet é parte do cotidiano. Quem não usa a internet para novos modelos de negócio, para alavancar negócios, está destinado a fechar as portas – e exemplos de fracassos não faltam.

A adoção da internet para alavancar novos negócios ou modernizar os já existentes não andou na mesma velocidade – e não poderia ser diferente. As mudanças em negócios levam mais tempo e custam muito caro para as empresas. Por isso, temos ainda a convivência de empresas que adotaram modelos de negócio modernos, totalmente baseados na internet, e empresas que ainda estão na era do site estático na web – aqueles sites onde não é possível fazer nada, exceto ler informações e dados, como, por exemplo, estoque e preços, sem realizar operações comerciais. Aproximadamente 20% das empresas se consideram totalmente atualizadas em termos tecnológicos. Os outros 80% estão em diferentes estágios de mudança, incluídas aí as empresas que não vão conseguir completar o processo.

Transformação contínua e foco no cliente

Os resultados das pesquisas mais recentes sobre a transformação digital em curso apontam para um rumo: foco no cliente. O que não é novidade, pois o cliente hoje é empoderado, toma decisões com o celular, tem acesso a redes sociais, consegue dar sua opinião em diversos temas, consegue informações sobre produtos e serviços, avalia e dá nota em serviços. Ficou muito mais difícil manter um cliente fiel por muito tempo. A empresa tem que andar na frente da concorrência, oferecendo melhores serviços, programas de fidelidade, maior variedade de produtos e um monte de promoções. As possibilidades de escolha aumentaram absurdamente. Fazendo uma pequena regressão, para ter foco no cliente e conseguir manter a preferência dele, qualquer empresa tem que ter feito o dever de casa direitinho. Processos de negócio modernos, rápidos, tratamento de riscos nos processos, monitoramento e avaliação, segurança de dados, digitalização total, cadeia de suprimentos bem implementada, relação com os fornecedores, pagamentos, faturamento, logística direta e reversa, atendimento por outros canais que não a internet, e vamos por aí afora. Tudo isso leva um tempo enorme e custa um monte de dinheiro em qualquer país no mundo. É um processo de mudanças em todos os sentidos, principalmente mudança cultural dentro da empresa. Em alguns casos extremos, pode ser mais simples, mais rápido e mais barato abrir uma nova empresa já com o DNA dos novos tempos, contratar equipe jovem e ir fazendo a transição do velho para o novo gradativamente, até poder fechar completamente a empresa antiga. O exemplo que sempre gosto de citar é o da Amazon. Sou cliente desde 1997, quando a empresa foi lançada, e a evolução deles em todos os sentidos é impressionante. É o modelo de empresa moderna, com foco no cliente.

Quais tecnologias investir?

Em um artigo recente publicado na ZDNet, estão disponíveis os resultados de pesquisas envolvendo CIOs de várias empresas com foco na transformação digital e tendências enxergadas para o futuro próximo. São várias pesquisas e, em particular, a realizada pela Forrester, em 1559 empresas dos EUA e Europa, tem resultados interessantes e que podem servir como indicadores de caminhos a seguir: metade das empresas pesquisadas estão em processo de transformação digital, sendo que 21% afirmam que já completaram a transformação (lembrem-se de que isso é dinâmico, o processo de mudança não acaba nunca); qualquer função que possa ser automatizada vai desaparecer, provocando impacto no mercado de trabalho; em 37% das empresas, o processo de transformação é liderado pelo CIO. Respondendo à pergunta “Em quais tecnologias sua empresa investe como parte da sua transformação digital?”, os principais resultados são: 55% das empresas estão em processo de adoção de SaaS (Software as a Service), associados com computação em nuvem; 47% das empresas estão investindo em tecnologias para segurança e garantia de privacidade; 46% estão investindo em aplicações móveis; 36% estão investindo em organização de dados para uso em análise de dados (business intelligence); 33% estão adotando ou criando software para permitir uma maior fidelização dos clientes; 29% estão investindo em Internet das Coisas (IoT); 17% estão investindo em inteligência artificial aplicada aos negócios; 11% estão adotando a blockchain, que é uma tendência nova e mundial, com muito impacto nos negócios em curto ou médio prazo; 10% estão investindo em realidade aumentada.

Essas pesquisas são realizadas para mostrar tendências dos mercados, e o acesso aos relatórios completos só é possível pagando – e caro. Claro, pois dados confiáveis, consistentes e íntegros têm um enorme valor estratégico para as empresas que querem se manter na liderança. Vejam que apenas esses resultados simples que citei acima já servem como sinalizadores. Para as startups, são informações valiosas. De minha parte, eu recomendo investir em tecnologias que estão ainda com nível de adoção baixo, que é onde existem muitos nichos de atuação e inovação. Por exemplo, a blockchain, que é promissora, está avançando muito rápido e vai causar uma grande revolução e ruptura no mercado. Pensem nisso!

#digital#investimento#clienteFavoritar

Sobre o autor
José Luis Braga Professor orientador do IETEC-MG

Professor orientador no Mestrado em Engenharia de Sistemas e Processos no IETEC-MG. Graduado em Engenharia Elétrica pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1976), mestrado em Ciências da Computação pela Universidade Federal de Minas Gerais (1980) e doutorado em Informática pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1990). Pós-doutoramento na University of Florida (1998-1999). Professor Titular aposentado do DPI – Departamento de Informática, UFV, 2013.

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