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18/Nov/2016 - 10:43 - Atualizado em 10/Mai/2018 - 15:42

“As startups não estão em Minas para serem aceleradas, e sim para explorar o mercado local”

Investidor pernambucano ajuda startup do Seed a expandir negócios


Por Alysson Lisboa/SIMI

Entrevista Erick de Albuquerque

“Os meninos das startups são incorruptíveis. Eles já nascem em uma cultura tão limpa que vai impregnar a sociedade de maneira geral”

Empreendedor serial com 14 anos de experiência, Erick de Albuquerque é um pernambucano que começou a vir a BH com bem mais frequência nos últimos anos. Ele marcou presença na Finit para participar de algumas palestras e mentorias e ajuda empresas a desenvolver e internacionalizar negócios. Erick é diretor-executivo na A&C Holding, do Fundo de Capital Semente Inova Pernambuco e também investidor-anjo. O empresário concedeu entrevista exclusiva ao SIMI sobre o cenário de inovação e os difíceis caminhos que as startups precisam trilhar em seu cotidiano. Confira!

Durante o ano você já veio algumas vezes aqui em Belo Horizonte. Isso é um sinal de que as coisas estão mudando positivamente por aqui?

Sim. Eu conheço vários ecossistemas no Brasil e não posso deixar de dar esse crédito às ações que o Governo de Minas tem realizado com Lemonade, Seed, 100 Open Startups e tantos outros. Isso não está acontecendo em todos os estados da federação. O governo abraçou a causa da inovação e empreendedorismo. Fiquei muito feliz em ver esse cenário porque na crise todos pensam em cortar investimentos e aqui estão incentivando as startups e o ecossistema.

Esse é um movimento recente?

Isso não vem de agora, já acontece há algum tempo, o que faz elevar o nível de maturidade das startups que passaram pela Finit. Já podemos começar a compará-las às startups de fora do Brasil. Tem várias coisas que estão na ideação, mas há uma considerável quantidade de startups com condições reais de se tornarem grandes negócios.

Qual startup você conheceu aqui que chamou sua atenção?

Conheci a Rutapro, uma startup chilena que está sendo acelerada no Seed. Para você ter ideia do que está acontecendo aqui, ela é uma startup chilena que está abandonando suas operações no Chile para começar seus negócios na cidade e já está gerando empregos aqui. Eles perceberam que existe um gap de logística e decidiram atacar o mercado local.

Esse é o maior indicativo de que as coisas estão mudando?

Sim, veja bem, a empresa largou sua operação e vai começar a trabalhar aqui. Temos vários brasis dentro do Brasil. Minas é um Brasil, Nordeste é outro Brasil. Isso me deixou impressionado. As startups estão aqui, não porque elas estão sendo aceleradas, mas para explorar o mercado local. Isso vai gerar receita, renda e empregos.

Um evento como a Finit contribui de que forma?

Como seria isso sem investimento público? Como você pode reunir toda essa gente? Eu vim para Belo Horizonte para ajudar o pessoal da empresa chilena a entrar no Nordeste. Como isso seria possível se eu não estivesse aqui? As empresas, as indústrias, todo mundo está focado em descobrir como otimizar seus processos, aumentar a lucratividade e competitividade, e um evento assim é o ambiente perfeito.

E as empresas tradicionais? Estão mais abertas para receber as startups?

Sim. As empresas não ouviam essa gente. Imagine que você tem uma empresa como Uber, que vale mais que uma montadora como a Ford. Como o empresário vai virar as costas para essas startups?

Pode-se dizer que está acontecendo no Brasil uma mudança do conhecido jeitinho brasileiro?

As startups já nascem com a cultura da honestidade. Vou falar uma coisa aqui até meio polêmica. Os meninos das startups são incorruptíveis. Eles já nascem em uma cultura tão limpa que vai impregnar a sociedade de maneira geral. Você pega um empresário com 30 anos de estrada, acostumado a dar o “jeitinho nas coisas” e você coloca um jovem que nasceu com a nota fiscal eletrônica e que faz questão de cumprir com suas obrigações tributárias. Com certeza estamos diante de uma mudança significativa.

Se você tem, de um lado, grandes empresas sonegando e de outra, pequenas empresas (escaláveis) que se tornaram grandes, podemos deduzir que no futuro a sonegação será menor?

A cultura de startup já nasce muito limpa. É difícil corromper um garoto desses. O cara quer salvar a tartaruga, quer salvar o planeta, ele quer empregar gente, é outra pegada! A arrecadação vai aumentar com essas empresas e por isso os impostos podem, finalmente, ser reduzidos. Uma das coisas que faz com que o governo não reduza a carga tributária é exatamente o volume de sonegação. Quanto mais pessoas pagarem impostos, menores serão os tributos.

As startups aqui estão buscando apenas investimento?

As startups não estão tão propensas a receber investimentos, o que é bom.  Algumas startups que conversei me disseram que estão um pouco descrentes dos investidores-anjo. Tenho que concordar com a descrença deles. Há muitas instituições que estão trabalhando para melhorar isso e inclusive leis para proteger os investidores e empresários, mas ainda tem uma descrença grande do investidor em relação às startups. Infelizmente esbarramos em uma legislação ainda muito lenta e isso trava os processos.

Qual foi sua participação na Finit em Belo Horizonte?

Foi uma programação bem intensa aqui. Participei de algumas palestras e mediação de painéis. Estou fazendo também mentoria com algumas startups que estavam aqui no espaço e o Demoday do Seed. Na Campus Party falei sobre empreendedorismo. Espero que no ano que vem possamos conversar sobre o crescimento do setor e ampliação da feira.

#investidoranjo#erickdealbuquerque#a&cholding#rutaproFavoritar

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