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20/Dez/2018 - 10:00 - Atualizado em 20/Dez/2018 - 11:17

BH ganha app voltado para passageiros e motoristas LGBT+

Já com 90 condutores pré-cadastrados, Homo Driver promete inclusão e segurança


Por Redação Belo Horizonte/MG
Crédito: Divulgação

Segurança. Em meio a  tantos crimes de origem homofóbica, BH acaba de ganhar um forte aliado. O Homo Driver é o primeiro aplicativo de transporte particular pensado para o público LGBT+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros). Bastante semelhante aos apps que já circulam no país,  a diferença é que ele só aceita motoristas e passageiros que sejam desse grupo.Segundo a startup, a intenção é proporcionar empatia entre o prestador do serviço e o cliente e mais tranquilidade para os dois. Alguns já abraçam a ideia. Outros usuários temem o efeito de segregação social e eventual insegurança na plataforma.

Lançados na última segunda, dia 17, os app’s Homo Driver e Homo Driver Motorista, somam quase 800 downloads, sendo 700 de pessoas com interesse em serem passageiros e 90 pré-cadastros de motoristas que querem fazer parte dessa onda social. Segundo a empresa, os motoristas vão passar por um treinamento para conhecer a cultura organizacional e eliminar os riscos de preconceito por seus usuários.

O processo de criação da startup, que prega “o direito de ser livre”, começou em janeiro. “Iniciamos a busca de melhorias na prestação dos serviços voltados a comunidade LGBT ”, conta Thiago Guirado Vilas Boas, sócio-fundador da Homo Driver. Segundo ele, os casos reais de preconceito sustentam a aposta no serviço.

Diante do  atual cenário em que as taxas de desemprego são as mais altas dos últimos anos, a plataforma também surge como uma alternativa de renda ao grupo, que sofre preconceito no mercado de trabalho.

Antes mesmo de começar a rodar, o aplicativo já provoca discussão entre as pessoas que tomaram conhecimento do lançamento por meio das redes sociais. “Apesar de eu não conhecer o funcionamento desse aplicativo, acredito que me sentiria mais confortável”, comenta a professora Úrsula Viana Mansur, que garante que vai utilizar o Homo Driver. “Penso que medidas como essas são necessárias. As pessoas deveriam ter capacidade de lidar com as diferenças, mas já que não têm, prefiro fazer o uso”, completa. A atriz e comunicadora Kayete apoia a iniciativ, mas não esconde a tristeza sobre a necessidade de segmentação. “Infelizmente há pessoas que não sabem lidar com a diferença. A gente precisa se sentir bem, seguro para ir e vir”, defende.

Há quem pense diferente, como é o caso do Gabriel Lomasso, de 25 anos. Para ele, usar o aplicativo seria ampliar o risco. “Esse tipo de transporte é mais usado em momentos de muita vulnerabilidade, saindo da balada, cansado, às vezes bêbado e de madrugada. Não me sentiria confortável porque, ao usar o aplicativo, já estaria ‘atestando minha homossexualidade’. Logo eu seria um alvo mais fácil. Em outros apps, não tenho que me manifestar sobre sexualidade, ela não fica tão exposta”, disse.

Por outro lado, a empresa garante que investe na segurança. Uma das primeiras medidas é o rigoroso controle de avaliação no fim das viagens, para excluir da plataforma o usuário que for acusado de praticar qualquer ação discriminatória e/ou homofóbica.

Os app’s Homo Driver e Homo Driver Motorista estão disponíveis para download em Android, e, a partir da próxima segunda, dia 24, poderão ser acessados também na plataforma IOS.

Ao finalizar o download, o usuário faz seu cadastro para login e tem acesso aos serviços. O aplicativo, então, permite a busca por motoristas e passageiros baseada na localização voltada para o público LGBT. Inicialmente, as corridas serão em Belo Horizonte e Contagem, na Região Metropolitana, mas a empresa garante que já existem planos de expansão para outras cidades.

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Fonte: Estado de Minas

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