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05/Mar/2019 - 08:05 - Atualizado em 28/Fev/2019 - 12:05

Beber cerveja aumenta o número de picadas de insetos, apontam estudos

Há diversos fatores que contribuem para a atração de insetos e a ingestão de álcool funciona como um gatilho


Por Redação Belo Horizonte/MG

O Brasil é um dos países onde as pessoas mais bebem cerveja no mundo, com um consumo médio de 70 litros por ano por pessoa. O clima quente do país pode ser um dos motivos para que os brasileiros adorem uma “gelada”. No entanto, é também no clima que os casos de dengue, zika, chikungunya e malária aumentam.

Mas qual a relação entre uma coisa e outra? Segundo especialistas, o consumo da bebida, principalmente em excesso, pode aumentar a chance de infecção desses vírus. O professor titular do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Carlos Brisola Marcondes, cita dois estudos, um no Japão e outro em Burquina Faso, que verificaram que a ingestão de cerveja atrai mais mosquitos para o bebedor.

Na pesquisa japonesa foi testada uma dose de 350 ml de cerveja feita de cevada  para a atração do Aedes albopictus, parente próximo do Aedes aegypti. Em Burquina Faso, os pesquisadores deram aos participantes uma quantidade não informada de uma cerveja feita com sorgo (4% de álcool), para verificar o resultado sobre a espécie Anopheles gambiae, transmissor da malária.

"Em ambos os estudos, se notou um aumento significativo na atração dos insetos", conta Marcondes. "Além disso, no segundo trabalho, verificou-se também o estímulo ao voo dos mosquitos. Este efeito foi atribuído à dispersão do álcool pelo organismo com presença de etanol no suor."

Como os mosquitos são atraídos?

A produção de cairomônios, substâncias produzidas que são percebidas por ‘predadores’, e o álcool não são as únicas substâncias que aumentam o número de picadas. O gás carbônico e o ácido láctico (liberado no suor) também são substâncias conhecidas.

De acordo com o médico sanitarista Rodolpho Telarolli Júnior, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas do campus de Araraquara, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), alguns estudos mostram que os mosquitos são atraídos por indivíduos cuja respiração contenha maiores teores de gás carbônico, como é o caso das pessoas que acabaram de fazer exercícios físicos e estão com o metabolismo acelerado, assim como gestantes ou pessoas com sobrepeso.

Há indicativos que animais hematófagos - que se alimentam de sangue - teriam maior atração pelas pessoas e áreas dos corpos com maior temperatura, além de indivíduos com o tipo O de sangue e também pessoas que usam roupas escuras.

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