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26/Nov/2018 - 12:32 - Atualizado em 29/Nov/2018 - 17:03

“Brasil tem taxas de empreendedorismo feminino igual ou superior ao masculino”

Dado foi apresentado durante o She’s Tech Conference 2018, em Belo Horizonte; apesar de promissor, ainda há muito a ser feito pela igualdade de gênero


Por Paula Isis/SIMI Belo Horizonte/MG
Painel "Oportunidade de negócios e estudos com o Reino Unido" 
Crédito: Paula Isis/SIMI

Um dos maiores eventos de mulheres na tecnologia, o She’s Tech Conference reuniu em Belo Horizonte, nos dias 22, 23 e 24 deste mês, mulheres que são inspiração para engajar e capacitar. A patronese do evento é uma das mulheres mais fortes do século XXI. Yvonne Cagle, astronauta na NASA, arrancou lágrimas da plateia ao contar sua trajetória como pesquisadora, sobre os desafios que enfrentou por ser negra e mulher, e falou também sobre o projeto Marte 2035. Leia mais sobre Yvonne no fim da matéria.

Durante os três dias de evento, o público pode conferir vários painéis e palestras com diversos temas que aconteciam simultaneamente ao decorrer do dia. Um dos painéis que mais chamou atenção foi a “Ciência empreendedora: o olhar empreendedor da pesquisa”, com Yale Soares, do SIMI; Liliane Carvalho, da Biominas; e Juliana Saliba, do BiotechTown.

De acordo com dados do Global Entrepreneurship Monitor de 2018, trazidos por Yale, a taxa de mulheres no mundo envolvidas em atividades empreendedoras em estágio inicial cresceu 6% em comparação com dados de 2017. “Na América Latina e no Caribe, temos 17 mulheres engajadas em atividades empreendedoras em estágio inicial para cada 20 homens engajados no mesmo estágio. A tendência mundial é que homens estão mais inclinados a se tornarem empreendedores do que mulheres”, apontou.

Apenas em três economias, as mulheres têm taxas de empreendedorismo iguais ou superiores aos dos homens: Equador, Vietnã e Brasil. Já em Minas Gerais, segundo dados dados do Global Entrepreneurship Monitor e do Sebrae de 2015, as mulheres somam quase 10 milhões em nosso estado e têm uma participação expressiva no empreendedorismo: 51% de empreendedoras em estágio inicial e 42% em negócios estabelecidos (com mais de 42 meses), atuando principalmente no setor de comércio (47%).

“Parece igualitário quando olhamos esse número isoladamente, mas se aprofundarmos um pouquinho mais, os problemas começam a surgir. A porcentagem de mulheres no comando de micro e pequenas empresas no estado é de apenas 32%.  o Brasil como um todo, o cenário é parecido: de acordo com um estudo da L’Oreal, 38% das mulheres estão em cargos de liderança”, destacou a analista.

Liliane Carvalho, Yale Soares e Juliana Saliba durante o She's Tech Conference
Crédito: Paula Isis/SIMI

Mulheres na pesquisa

Quando abordamos a educação superior, apenas 28% das mulheres no mundo são pesquisadoras. “Se procuramos saber saber quantas delas estão em cargos de chefia dentro dos departamentos, grupos de pesquisa e outros, essa quantidade é ainda mais baixa”, afirma Yale. Em um poster elaborado por pesquisadoras do Instituto de Química da USP, nos Departamentos de Bioquímica e de Química Fundamental, por exemplo, o número de mulheres e homens na graduação e pós-graduação é semelhante, mas quando analisa-se a representatividade de mulheres nas carreiras de docência e de chefia, observa-se uma progressiva redução.

A analista destaca que desde 1970 até os dias atuais o Instituto de Química não tem nenhuma mulher em posição de direção desde a sua criação. “Pouquíssimas mulheres estiveram em cargos de vice-direção e de chefias (titulares ou suplentes).” 

Quando se analisa a quantidade de meninas e meninos com 15 anos que querem se tornar engenheiros, cientistas, arquitetos nos países-membros da OCDE, o número é de 0,5% de meninas comparado a 5% dos meninos. “Embora o número de mulheres que tenha completado o ensino superior seja maior do que o dos homens, apenas 24% delas se formaram em engenharias, manufatura e construção”, comenta.

Para Yale, a inclusão de mais mulheres em carreiras criativas não é bom apenas para elas, mas também para um crescimento econômico mais forte e para o aumento do bem-estar social.

“Invenções e tecnologias criadas a partir de times com diversidade ou exclusivamente composto por mulheres parecem ter maior abrangência econômica (e podem, portanto, ter maior valor do ponto de vista econômico) e maior impacto do ponto de vista tecnológico do que aquelas em que apenas homens estão envolvidos.” 

Yale Soares é analista de inovação do SIMI 
Crédito: Paula Isis/SIMI

E no empreendedorismo tecnológico?

No empreendedorismo tecnológico, o cenário é ainda mais alarmante. Segundo dados publicados este ano pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE),  as mulheres representam menos de um terço de fundadores de startups no mundo. De acordo com estes dados, 90% das startups buscando por investimentos foram fundadas por homens. Mulheres que são fundadoras de startups recebem 23% menos investimentos e 30% estão menos inclinadas a possuir um exit bem sucedido - serem compradas ou fazerem IPO - quando comparadas aos homens.

“No entanto, o progresso é possível: os escritórios de venture capital com pelo menos uma sócia mulher são mais de duas vezes propensos a investir em uma empresa com uma mulher no time de liderança e três vezes mais propensos a investir em mulheres CEO’s”, afirma Yale.

Para conhecer mais sobre o movimento She's Tech, acesse o site oficial.



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