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28/Fev/2019 - 08:01 - Atualizado em 26/Fev/2019 - 11:30

Celulares podem prejudicar o desenvolvimento de crianças, diz estudo

Especialistas canadenses e americanos dizem que crianças não devem usar telas antes de completar 18 meses de idade


Por Redação Belo Horizonte/MG
Embora estudos ainda não sejam conclusivos, especialistas indicam que o tempo de uso de telas deve ser limitado e supervisionado
Crédito: Pixabay

Qual pai ou mãe nunca entregou um celular ou tablet para uma criança para evitar choros, birras ou até mesmo para manter o filho longe de bagunça? Essa tática talvez não seja a ideal, segundo um estudo canadense.

Deixar uma criança pequena usar eletrônicos com telas durante muito tempo pode atrasar o desenvolvimento de habilidades de linguagem e sociabilidade. A pesquisa, que acompanhou cerca de 2,5 mil crianças de 2 anos de idade, é a mais nova no debate sobre o qual é o tempo limite seguro de uso dos eletrônicos.

Entre 2011 e 2016, mães foram consultadas sobre o tempo de uso de telas (celulares, TVs, videogames, computadores etc) e preencheram questionários sobre as habilidades e o desenvolvimento de seus filhos quando tinham dois, três e cinco anos.

Com dois anos, as crianças passavam, em média, 17 horas em frente a telas por semana. Isso aumentou para cerca de 25 horas aos três anos, mas caiu para cerca de 11 horas aos cinco anos, quando as crianças começaram na escola primária.

As descobertas sugerem que há um aumento do tempo de uso de telas antes que qualquer atraso no desenvolvimento seja notado. No entanto, não está claro se o aumento do uso de telas é diretamente responsável pelo atraso no desenvolvimento.

O maior tempo com telas pode estar ligado a outros fatores para o atraso no desenvolvimento, como a forma como a criança é educada e o que a criança faz no restante de seu tempo de lazer.

Qual o limite?

O estudo não faz qualquer recomendação sobre o limite ideal para o uso de telas. A Associação Americana de Pediatria (AAP), no entanto, faz algumas indicações:

  • Crianças menores de 18 meses: evitar qualquer uso de tela além de chamadas de vídeo.
  • Crianças entre 18 e 24 meses: escolher uma programação de qualidade e assistir junto com seus filhos para ajudá-los a entender o que estão vendo.
  • Crianças de 2 a 5 anos: o uso de telas deve ser limitado a uma hora por dia e a programas de qualidade. Os pais devem assistir com os filhos.
  • Crianças de 6 anos ou mais: imponha limites consistentes, garantindo que o tempo de tela não atrapalhe o sono e a atividade física.

Já a Sociedade Canadense de Pediatria recomenda que crianças com menos de 2 anos não devem usar telas.

No Reino Unido, onde não há limite estabelecido, o Royal College of Pediatrics and Child Health diz não haver evidências suficientes para estabelecer um efeito negativo às crianças. Mesmo assim, a organização recomenda que as famílias se perguntem:

  • O tempo de tela na sua casa é controlado?
  • O uso de telas interfere no que a família quer fazer?
  • O uso de telas interfere no sono?
  • Você consegue controlar o que a criança come durante o tempo de uso de tela?

Se as respostas forem satisfatórias, então é provável que tudo esteja ocorrendo bem.

O que fazer para reduzir o uso?

A associação americana aconselha que famílias delimitem períodos em que mídias não são usadas, como refeições ou deslocamentos de carro, ou locais da casa onde o uso não é permitido, como quartos.

Já a associação do Reino Unido aponta que adultos devem analisar seu próprio uso de telas e dar exemplos aos seus filhos.

Parte dos especialistas aconselha, ainda, que as crianças não usem telas uma hora antes de dormir, para que seus cérebros tenham tempo de relaxar.

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Fonte: BBC

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