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16/Jan/2018 - 10:19 - Atualizado em 16/Jan/2018 - 12:34

Cidade do Sul de Minas vai utilizar lixo para gerar energia elétrica

Tecnologia inédita aproveitará 100% dos resíduos sólidos; usina será instalada em Boa Esperança


Por Redação

A cidade de Boa Esperança, no Sul de Minas, terá o primeiro projeto de Usina Termoquímica de Geração de Energia (UTGE) do país, que utiliza resíduos sólidos, ou seja, lixo, para gerar energia elétrica por meio de um processo inédito. O projeto desenvolvido por Furnas Centrais Elétricas em parceria com a Carbogas Energia, utilizará tecnologia totalmente brasileira.

Com um investimento de R$ 32 milhões, a previsão é que a operação comece em julho de 2019. As obras de terraplenagem já estão em andamento desde dezembro do ano passado. O gerente de pesquisa e desenvolvimento de Furnas, Nelson de Araújo dos Santos, explica que se trata de um projeto piloto. “Ainda é um trabalho de pesquisa, mas vamos estudar para que, no futuro, consigamos atender a comercialização da energia gerada pela usina”, diz.

A UTGE terá capacidade de geração de 1 Megawatt-hora (MWh) de energia elétrica, o que corresponde a 25% de toda energia elétrica utilizada em Boa Esperança. “A energia elétrica gerada poderá ser utilizada nos prédios públicos do município a partir do segundo semestre de 2019. Em um segundo momento, também estudamos oferecer energia para atrair empresas e gerar empregos”, afirma o secretário de Obras de Boa Esperança, Diogo Cunha. A prefeitura doou o terreno de 7.800 m² onde o projeto está sendo construído.

A tecnologia que será utilizada é pioneira no Brasil e no mundo. Todo o resíduo sólido, orgânico e inorgânico, é transformado em um combustível derivado de resíduo. “O projeto se baseia na tecnologia de gaseificação, que é bastante diferente da incineração. As emissões atmosféricas são muito baixas, sendo uma tecnologia de fácil compreensão, permitindo a destinação completa dos resíduos sólidos urbanos de uma maneira geral. Produziremos um gás combustível, o qual será utilizado para gerar a energia elétrica”, explica Santos. O processo envolve a queima desse combustível, mas é diferente da utilizada em usinas de biogás, que também geram energia por meio de resíduos sólidos. Nesse caso, a tecnologia é de gaseificação em leito fluidizado e a usina utiliza um reator termoquímico no processo.

Projeto prevê aterro sanitário regulado

A implantação do projeto de Usina Termoquímica de Geração de Energia (UTGE) que utiliza resíduos sólidos em Boa Esperança vai colocar o aterro sanitário da cidade dentro das regras da Lei 12.305/10, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). “Não era um aterro sanitário de acordo com a legislação. Com o início das obras do projeto, vamos nos adequar”, prevê o secretário de Obras de Boa Esperança, Diogo Cunha. O projeto também visa eliminar a contaminação do solo e de lençóis freáticos pelo chorume do lixo e atender as resoluções ambientais de emissões atmosféricas.

A PNRS, de 2010, previa que até 2014 todos os municípios do país utilizassem aterros sanitários para dispor os resíduos urbanos. Porém, cerca de 59% das cidades brasileiras, mais de 3.300, não estavam adequadas à lei, segundo levantamento feito pela Câmara dos Deputados em 2017. A usina é um projeto de pesquisa e desenvolvimento interno de Furnas. Segundo a empresa, houve uma pesquisa de tecnologias tanto no Brasil como em outros países antes da definição.

Biogás

Em setembro de 2017, uma usina de biogás retirado de um aterro sanitário foi inaugurada em Sabará, região metropolitana da capital, com potência instalada de 5, 7 MWh.

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