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28/Dez/2018 - 00:00 - Atualizado em 28/Dez/2018 - 14:32

Cientista descobre bactérias que podem ajudar na luta contra o câncer

Em expedição à Antártida, pesquisador Leonardo José Silva, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), fez a descoberta 


Por BBC News Brasil e Simi
A Antártida pode esconder substâncias importantes para a cura de doenças e redução de pragas na agricultura
Crédito: Reprodução da internet

Viajar para a Antártida já é uma grande aventura. O local, além de inóspito, reserva também diversas surpresas em seus subsolo gelado. Algumas áreas do continente têm espessura que pode chegar a 5 quilômetros. Dentro deste quase inatingível espaço de água congelada, pode estar a resposta para muitos enigmas que buscamos resposta - uma delas, a cura do câncer.

A região é propícia para o surgimento e evolução de espécies únicas, com metabolismos exóticos, que aumentam as chances de desenvolvimento e descoberta de novas substâncias, que podem dar origem a novas drogas para o tratamento de várias doenças, entre elas o câncer.

E foi isso que o pesquisador Leonardo José Silva, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba, encontrou ao estudar bactérias que vivem na gramínea Deschampsia antarctica, que só existe na Antártida. Ele viajou para o continente entre novembro e dezembro de 2014 com um grupo de outros pesquisadores brasileiros. Com as amostras de solo, acondicionadas e guardadas em um ultrafreezer, a - 80 ºC (graus negativos) foi possível manter a integridade do material.

Depois, ao estudar as bactérias, o pesquisador constatou que várias delas produzem compostos capazes de inibir o desenvolvimento do glioma (um tipo de câncer que ocorre no cérebro e na medula espinhal), tumores na mama e no pulmão. A pesquisa toda foi realizada entre fevereiro de 2014 e finalizada em julho de 2018.

Segundo Leonardo, as atividades de prospecção podem ser realizadas em qualquer ambiente
Crédito: Reprodução da internet

Segundo Leonardo, as atividades de prospecção podem ser realizadas em qualquer ambiente. "No entanto, as chances da descoberta de novas substâncias, capazes de auxiliar o desenvolvimento de fármacos, controladores biológicos de pragas agrícolas ou mesmo enzimas para promover o benefício a um determinado processo industrial, são aumentadas quando procuramos em um local pouco explorado, como por exemplo o continente antártico", diz.

Isso ocorre porque aquela região inóspita concilia fatores importantes para o estabelecimento de vias metabólicas inusitadas, como, por exemplo, condições ambientais extremas, baixo fluxo gênico, espécies endêmicas (que só existem lá) que podem favorecer a produção de substâncias de importância biotecnológica.

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