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01/Set/2016 - 00:00 - Atualizado em 19/Abr/2018 - 15:57

Gene associado ao consumo abusivo de álcool é identificado na UFMG

Pesquisa busca identificar relação do alcoolismo com o DNA humano


Por Redação

A equipe do Laboratório de Genética Animal e Humana, do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG (ICB), coordenada pela professora Ana Lúcia Brunialti Godard, identificou, em cérebros de camundongos, um gene que pode indicar predisposição ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas: o Lrrk2, responsável por regular os outros genes da via biológica de mesmo nome. "Até então, era conhecida apenas sua relação com a doença de Parkinson", informa a pesquisadora.

A professora Ana Lúcia Brunialti Godard conta que optou por uma abordagem direcionada. "Escolhemos uma via biológica específica (cada uma é composta de determinados genes, com funções distintas), e não nos interessava, desde o início, trabalhar com vias já relacionadas ao álcool. Por isso, procuramos uma rota cuja relação com o alcoolismo ainda não havia sido detectada", afirma a professora do Departamento de Biologia Geral do ICB.

Mesmo que a predisposição genética para o alcoolismo já tenha sido demonstrada, Ana Godard explica que nem todos os genes envolvidos foram identificados. "A busca por genes cuja relação com o alcoolismo seja ainda desconhecida é o que motivou nossa investigação", afirma.

O processo de pesquisa

Durante 16 semanas, a equipe coordenada pela pesquisadora expôs 80 camundongos a um modelo de livre escolha entre três soluções, uma com água e duas com níveis diferentes de concentração alcoólica (5% e 10%). O modelo foi dividido em quatro fases: de aquisição, com animais expostos às soluções; de abstinência, quando as opções alcoólicas foram retiradas; de reapresentação, quando a bebida foi oferecida novamente a esses animais, e de adulteração com quinino (substância de gosto amargo).

Após esse período, os animais foram classificados em três grupos. "O primeiro grupo foi denominado leve, com animais que preferiram a água durante todo o experimento. No segundo grupo, chamado de pesado, foram classificados os animais cuja preferência pelo etanol sofreu redução significativa no consumo após adulteração da bebida. Nos animais do terceiro grupo, descrito como inflexível, a preferência pelo etanol e o consumo excessivo se mantiveram mesmo após a adulteração da solução etílica", explica Ana Lúcia Godard.

Em seguida, os pesquisadores utilizaram o estriado (parte do cérebro responsável pelos mecanismos de reforço positivo e formação de hábito) de camundongos para identificar o que há de diferente no RNA de animais dependentes (grupo inflexível) e não dependentes (grupo leve) de álcool.

"O mapeamento do cérebro dos animais desses dois grupos resultou na descoberta de 1.127 genes diferencialmente transcritos entre o grupo dependente e o que não gostava de álcool. Desses genes, 615 se apresentaram hiper-regulados, e 512, hiporregulados", contextualiza Ana Godard.

A pesquisadora destaca que diversos genes constituintes da via Lrrk2 estavam desregulados entre os diferentes grupos de animais. "No entanto, somente o gene Lrrk2, regulador da via, mostrou-se hiper-regulado apenas nos animais do grupo inflexível", explica Godard. "Esses dados corroboram o gene Lrrk2 (ou seu produto proteico) como importante substrato molecular responsável pela consolidação do consumo compulsivo e sem controle de etanol", afirma.

Reconhecimento

Em junho, o projeto Marcadores genéticos do alcoolismo, coordenado pela professora Ana Lúcia Brunialti Godard, foi homenageado pela Secretaria de Estado de Defesa Social, por meio da Subsecretaria de Políticas sobre Drogas, em premiação que reconheceu projetos de prevenção e combate ao uso de drogas desenvolvidos em Minas Gerais. Ele recebeu o diploma de segundo lugar na categoria ‘Desenvolvimento de pesquisa científica e tecnológica’.

"Nosso trabalho com alcoolismo, que se desdobra em várias pesquisas, foi reconhecido pelo governo do estado. Foram homenageadas personagens e entidades que têm feito diferença no combate ao uso abusivo de álcool em Minas Gerais, e fomos honrados com o diploma na categoria de pesquisa e inovação", diz a professora.

*Com informações de Cedecom/UFMG

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