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01/Out/2018 - 17:00 - Atualizado em 02/Out/2018 - 11:38

Inclusão de insetos na alimentação animal pode reduzir desnutrição e obesidade

Em busca de linhagem para melhorar a disponibilidade de nutrientes, pesquisadores de Montes Claros produzem espécies em cativeiro


Por Redação Belo Horizonte/MG
Grilo é um dos insetos utilizados na produção da farinha feita pelos pesquisadores
Crédito: Pixabay

Uma série de pesquisas que estão sendo realizadas no Instituto de Ciências Agrárias (ICA), em Montes Claros, mostram que a inclusão de farinha de insetos na dieta de camundongos tem sido eficaz na redução da desnutrição e da obesidade. Outra linha de estudo busca definir um protocolo de produção de insetos em cativeiro para a alimentação animal e humana.

Segundo os pesquisadores, os insetos são fonte de proteína alternativa às tradicionalmente utilizadas, pois aliam oferta de alto índice de nutrientes com sustentabilidade produtiva. Para o zootecnista e professor do ICA Diego Vicente da Costa, os insetos podem gerar proteína de alta qualidade nutricional com resíduos orgânicos de baixo valor agregado. “Também consomem menos água e menos energia, além de emitirem menos gases de efeito estufa que outros animais de produção comumente utilizados na alimentação humana”, explica.

Os resultados apontaram a eficácia da inclusão da farinha de insetos na dieta de aves, peixes, cães, gatos e camundongos, sendo os últimos o principal modelo animal para estudos de nutrição humana, de acordo com os pesquisadores. Para a pesquisa, os cientistas utilizam dois tipos de camundongos:obesos e desnutridos.

“Os obesos emagreceram e os desnutridos, engordaram. Parece haver algum componente na farinha de insetos que modula o metabolismo desses animais”, observa o professor. O trabalho sugere que insetos podem ser usados no combate à desnutrição humana e controle de doenças metabólicas, como a obesidade.

Agora, a equipe está desenvolvendo em cativeiro a produção de insetos como grilos, tenébrios, que são um tipo de besouro, e barata cinérea, espécie que difere da barata doméstica. Segundo os cientistas, para a produção industrial em larga escala é necessário um protocolo que oriente as melhores práticas de criação e manejo dos animais, assegurando, assim, a produtividade e segurança alimentar.

Para os pesquisadores, os resultados dos estudos podem dar suporte técnico e científico à regulamentação do uso de insetos na alimentação humana ou animal. De acordo com Diego Costa, o produtor poderá se beneficiar do estabelecimento e da adequação dos processos de produção dos insetos em cativeiro. “O consumidor, por sua vez, terá a garantia de um produto de alta qualidade nutricional e sanitária”, ressalta. Parte dos estudos é feita em parceria com a Universidade Federal de Lavras.

Componentes alimentares
Com o intuito de oferecer produtos ricos para o metabolismo animal e humano, a pesquisa busca linhagens melhoradas dos insetos e maneiras de aperfeiçoar a disponibilidade de nutrientes desses animais. Outra perspectiva do estudo avalia quais componentes alimentares podem ser extraídos dos insetos para serem serem utilizados separadamente como suplementos ou aditivos.

O pesquisador e professor do ICA, Junior Cota, explica que após a etapa de produção dos insetos, a equipe irá processar a farinha obtida com o auxílio da biotecnologia. “A partir desse ponto, diversos componentes poderão ser extraídos e isolados, como proteínas, prebióticos e óleos”. Também está em análise a extração de compostos de interesse de outros mercados, como as indústrias farmacêutica, cosmética e de papel e celulose, finaliza Cota.

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Fonte: UFMG

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