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08/Mar/2019 - 08:08 - Atualizado em 08/Mar/2019 - 10:06

Nós não somos "mulheres na ciência" - somos cientistas

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, replicamos o artigo escrito no LinkedIn por Helen Mets, presidente da Royal DSM


Por Helen Mets Belo Horizonte/MG
A física canadense Donna Strickland recebe seu Prêmio Nobel do rei Carl XVI Gustaf, da Suécia, durante a cerimônia de premiação de 2018
Crédito: Divulgação

Em dezembro do ano passado, Donna Strickland se tornou a primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel de Física em 55 anos. Hoje, no Dia Internacional das Mulheres e das Moças na Ciência, é mais importante do que nunca celebrar a conquista de Donna.

Mas podemos imaginar um mundo em que as manchetes recentes foram redigidas de forma diferente? E se ao invés de ser vista como uma "mulher", Donna fosse simplesmente descrita como uma excelente cientista? Eu queria que o gênero dela fosse irrelevante, que não precisasse ser mencionado de forma alguma - mas em dias como hoje, deveria ser.

Como líder feminina dentro de uma empresa global baseada na ciência  [ Royal DSM ], saúdo a celebração anual com emoções contraditórias. Embora devamos estar orgulhosos de nosso progresso e continuar a capacitar as mulheres ao nosso redor, nossa fascinação pela "feminilidade" de nossas atuais e futuras cientistas destaca como ainda temos um longo caminho a percorrer para acabar com a lacuna de gênero da ciência.

O teto de vidro da ciência

Desde o estabelecimento dos Prêmios Nobel em 1901, houve apenas 20 Laureados Femininos em Física, Química e Medicina - o equivalente a apenas 3,3% do total de Laureados nestas disciplinas científicas. Este número é preocupante - tanto porque destaca que um vasto conjunto de talentos em potencial passou inexplorado, como porque sublinha que as jovens cientistas enfrentam desafios maiores em seu desenvolvimento.

Repetidas vezes, os estudos mostram que as mulheres têm muito menos probabilidade de trabalhar em campos científicos após a graduação do que seus colegas do sexo masculino, e têm maior probabilidade de enfrentar obstáculos em seu caminho para o sucesso. Para as meninas e jovens que desejam seguir uma carreira científica, digo isto: seja corajosa em suas convicções e corajosa em suas ambições. Precisamos da sua contribuição.

Na minha empresa, a DSM - por meio de programas de divulgação, campanhas internas de conscientização online e participação em conferências sobre diversidade - estamos trabalhando duro para promover a igualdade de gênero e melhorar a diversidade de nossa força de trabalho. Entre outras metas que nos propusemos, pretendemos aumentar a representação das mulheres no nível executivo de 17% em 2017 para 25% até 2020.

Construindo um futuro equilibrado

Mas não se trata apenas de obter os números. Trata-se de promover uma cultura inclusiva em que mulheres e homens se sintam à vontade para oferecer suas ideias e opiniões. Trata-se de criar espaço para uma gama diversificada de visões que questionam, exploram e constroem o futuro da ciência e da tecnologia.

Eu sonho com um futuro onde é mais fácil para as mulheres se tornarem grandes cientistas. Um futuro em que a palavra "mulher" não é a primeira coisa mencionada em uma manchete; em que nós gritamos mais alto sobre as ideias de uma cientista do que sobre o gênero dela; em que a perspectiva de um homem e de uma mulher sejam igualmente importantes, e podemos trabalhar para promover a ciência - e a sociedade - juntos.

Eu elogio Donna Strickland por ter sido a primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel de Física em 55 anos? Sem dúvida. Eu acho importante mencionar que ela é uma mulher? Neste dia sim. Mas, acima de tudo, eu admiro Donna Strickland por sua inteligência, seu talento e sua capacidade de trabalhar duro no que ama.

Live Simi e Assespro: empoderamento feminino na TI

O Sistema Mineiro de Inovação e a Assespro, que representa as empresas de tecnologia do estado de Minas Gerais, irá bater um papo, ao vivo, sobre a nova gestão da instituição, que pela primeira vez, contará apenas com mulheres em sua diretoria, e os principais desafios da nova gestão. Participarão da live a empresária Edna Meneses, que assumiu a cadeira de vice-presidente de Qualidade, Planejamento e Controle e; Bruna Trajano, que assumiu a vice-presidência de Associativismo.

Acompanhe ao vivo, a partir das 14H desta sexta, 8 de março, através do Facebook do Simi

#ciência#empoderamento#mulheres#equidadeFavoritar

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