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02/Fev/2019 - 08:01 - Atualizado em 01/Fev/2019 - 15:22

Pesquisadores brasileiros desenvolvem veículo aéreo hipersônico

Primeiro voo do motor aeronáutico hipersônico produzido no Brasil será realizado em dois anos pela Força Aérea Brasileira


Por Redação Belo Horizonte/MG
Modelo de laboratório do Vant
Crédito: FAB

A Força Aérea Brasileira (FAB) realizará, em dois anos, o ensaio em voo do primeiro motor aeronáutico hipersônico feito no Brasil. O teste integra um projeto mais amplo que tem como objetivo dominar o ciclo de desenvolvimento de veículos hipersônicos, que voam, a pelo menos, cinco vezes a velocidade do som.

Além do motor hipersônico, o projeto Propulsão Hipersônica 14-X (PropHiper), iniciado em 2006, prevê a construção de um veículo aéreo não tripulado (vant), onde o motor será instalado. Batizado de 14-X, em homenagem ao 14-Bis, o vant empregará o conceito de waverider, no qual uma onda de choque gerada abaixo dele, devido a sua alta velocidade, lhe fornece sustentação.

Segundo o gerente do projeto PropHiper, Israel Rêgo, o motor hipersônico em desenvolvimento no país, também poderá ser empregado como segundo ou terceiro estágio de propulsão de foguetes. O veículo aéreo hipersônico poderá ser usado como avião de passageiros ou para fins militares.

Desafios

Já foram investidos R$ 53 milhões no 14-X, programado para voar a 10 vezes à velocidade do som. Antes de sair do laboratório, no entanto, alguns desafios ainda precisam ser superados. O primeiro é a finalização do motor, do tipo scramjet. Assim como os motores de jatos comerciais, o scramjet usa o ar da atmosfera para a queima do combustível. No entanto, ao contrário dos motores dos aviões, o do 14-X não tem partes móveis, como compressores e turbinas.

“Na combustão supersônica, o ar capturado deve ser desacelerado, pressurizado e aquecido antes de entrar na câmara de combustão, onde é injetado o combustível. E isso depende da perfeita geometria do motor”, diz Rêgo.

Outra barreira é fazer com que o veículo resista ao atrito gerado pelo voo à velocidade hipersônica. “As partes que sofrem maior aquecimento por fricção com o ar devem ser feitas de materiais resistentes a altas temperaturas, enquanto as mais frias devem ser de aço ou alumínio aeronáutico”, explica o coronel Marco Antônio Sala Minucci, engenheiro aeronáutico e consultor de hipersônica do projeto 14-X.

O programa é coordenado pelo Instituto de Estudos Avançados (IEAv), um dos centros de pesquisa do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) da FAB, em parceria com a empresa Orbital Engenharia, ambos de São José dos Campos (SP).

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