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26/Dez/2017 - 10:00 - Atualizado em 26/Dez/2017 - 16:49

Plantas com fins medicinais são alvo de estudo realizado na UFMG

Levantamento histórico-farmacológico feito pela pesquisadora Letícia Mendes investigou o emprego de plantas com finalidade terapêutica


Por Redação

A utilização de plantas para fins medicinais é um hábito característico do brasileiro. Espécies como a arnica, a camomila e a erva-doce são alguns exemplos de plantas que frequentemente são utilizadas para tratamento de doenças. A permanência do emprego de plantas com finalidade terapêutica foi o foco do estudo realizado pela pesquisadora Letícia Mendes em sua tese de doutorado, no Programa de Pós-graduação em Medicamentos e Assistência Farmacêutica da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Em seu trabalho, Letícia, que trabalha no Ministério da Saúde, buscou evidenciar os usos tradicionais de plantas nativas e confirmar se as indicações descritas desde o Brasil colonial se mantinham nos dias de hoje. Por meio de ampla análise de livros publicados em diversos momentos da história do país, ela constatou que o chamado poder terapêutico das plantas ainda é reverenciado pelo brasileiro.

Uma importante parte da pesquisa incluiu a análise de seis edições do Formulário e guia médico, de Pedro Luiz Napoleão Chernoviz, médico polonês que viveu no Brasil entre 1840 e 1855 e escreveu o primeiro manual que listava as plantas medicinais e seus respectivos usos.

Segundo a pesquisadora, a escolha do Formulário e guia médico como base dessa parte do estudo se deve ao fato de ele ter substituído a farmacopeia portuguesa, livro que até então servia de referência para médicos prescreverem o uso de plantas no país. A partir de meados do século 19, o resumo feito por Chernoviz virou referência para as farmácias brasileiras, domínio que durou até 1929.

Em outra fase da pesquisa, desenvolvida com o objetivo de analisar os usos terapêuticos de plantas descritas em centenas de livros, a autora elaborou uma fórmula que considerou a frequência de citação de usos e fatores associados à qualidade dessa informação. Um deles, por exemplo, identifica se o manual foi escrito por leigos ou por profissionais da área.

Barbatimão e copaíba

O barbatimão e a copaíba ocuparam lugar de destaque na análise desenvolvida pela autora da tese, que consultou 101 livros publicados entre 1576 e 2011 em busca de informações sobre o uso tradicional dessas duas plantas. As duas espécies também integram programas municipais de fitoterapia e a Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse do Sistema Único de Saúde, lista publicada em 2009 com espécies de plantas que devem ser consideradas prioritárias em estudos.

O barbatimão é uma árvore pequena, de troncos tortuosos. A casca do caule é a parte usada em tratamentos. A copaíba, por sua vez, é uma espécie de grande porte, típica da Amazônia, que atinge até 45 metros. Seu óleo é reconhecido por sua ação cicatrizante, propriedade que, segundo alguns pesquisadores, teria sido descoberta pelos índios, que passavam a substância nos corpos para curar feridas decorrentes de combates.

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