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12/Abr/2018 - 16:00 - Atualizado em 12/Abr/2018 - 16:42

Polêmica: o cérebro é capaz de produzir neurônios até a morte?

Dois estudos divulgados recentemente apontam para diferentes resultados


Por Redação

Um novo estudo publicado na semana passada na revista acadêmica Cell Stem Cell afirma que o cérebro humano produz novos neurônios até o último momento de vida. Segundo a pesquisa, as pessoas regeneram seus estoques de neurônios mesmo durante a velhice.

Pesquisadores da Universidade Columbia, dos Estados Unidos, analisaram amostras de cérebros doados poucos momentos após a morte de 26 pessoas, com idade entre 14 e 79 anos. Observando uma parte do cérebro denominada hipocampo, que auxilia nossa capacidade de memória e coordenação, a equipe encontrou provas do desenvolvimento de novos neurônios em todos os cérebros, além de evidências de angiogênese, que consiste na formação de novos vasos sanguíneos.

Ainda segundo o estudo, o processo de produção de neurônios não desacelera em pessoas mais velhas saudáveis ​​sem comprometimento cognitivo, doença neuropsiquiátrica ou tratamentos. No entanto, os cérebros mais velhos analisados pareciam ter um reservatório de células-tronco menor, uma redução na angiogênese e menor habilidade em produzir novas conexões entre os neurônios em relação aos mais jovens.

Por outro lado, um estudo realizado por um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia, em São Francisco, e outras instituições, publicado na revista Nature, em março deste ano leva a outra conclusão. A equipe analisou amostras do hipocampo doado por 59 pessoas, tanto vivas quanto mortas, e não encontrou vestígios do crescimento de neurônios no cérebro humano após os 13 anos de idade.

Em todas as amostras adultas, os pesquisadores não conseguiram encontrar quaisquer sinais de formação de novos neurônios, resultado similar ao obtido em análises de macacos rhesus.

Mas os pesquisadores não enxergam problemas na divergência de resultados, uma vez que ela possa ter ocorrido devido aos cérebros diferentes que cada grupo avaliou. Os cérebros analisados no atual estudo são de uma única coleção pertencente à equipe da Universidade de Columbia, cada um preservado da mesma maneira 24 horas após a morte e sem problemas de saúde identificados. O estudo da Nature, por sua vez, obteve amostras de pessoas que receberam cirurgia para tratar epilepsia, além de cérebros coletados 48 horas após a morte.

Os próprios pesquisadores afirmam que a melhor forma de resolver este debate é com o trabalho conjunto para conduzir uma pesquisa de fácil reprodução em uma maior coleção de cérebros doados.

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Fonte: Gizmodo

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