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02/Fev/2017 - 11:18 - Atualizado em 02/Fev/2017 - 12:01

Artigo: novos prefeitos e a inovação como ferramenta para o desenvolvimento

A sociedade precisa incentivar o estabelecimento de pontes que conectam o conhecimento à sua incorporação pela indústria e o mercado


Por Evaldo Vilela – Presidente da Fapemig Belo Horizonte
 Evaldo Vilela é professor titular da Universidade Federal de Viçosa, presidente da Fapemig e membro da Academia Brasileira de Ciências.
Campos de atuação: Ecologia Química, Entomologia, Gestão de Ciência e Tecnologia
Crédito: UFV/Divulgação

No final de 2016, dias antes da posse dos novos prefeitos, o IBGE publicou os resultados da 6ª edição da Pintec, pesquisa nacional que investiga o desenvolvimento da inovação tecnológica na indústria, referente ao período de 2012 a 2014. O que se viu foi que o país não evoluiu nada em relação ao triênio pesquisado, o que é muito preocupante, uma vez que é a inovação que hoje alimenta a economia.

Há três anos a receita oriunda de impostos vem caindo no Brasil, por absoluta falta de produtos e processos inovadores, que alavancam a arrecadação. A inovação cria riqueza mundo afora e, em ciclos virtuosos, dispensa a elevação das alíquotas de impostos, sempre pensadas pelos governantes, mas que ninguém aguenta mais! Novos produtos, processos e serviços é que podem de fato alavancar o poder real de compra das famílias e o desenvolvimento.

Mas os novos prefeitos, em meio à grave crise, focaram seus discursos no corte de gastos. Importante, mas insuficiente, já que é preciso aumentar a arrecadação, de modo crescente e urgente, sob pena de a conta não fechar! China e Coreia, por exemplo, conseguiram transformar suas cidades e a condição de vida de seus cidadãos, investindo em ciência, tecnologia e inovação de modo complementar aos cortes de despesas. É uma equação que exige entendimento suprapartidário e compromisso político com o futuro.

Então, por que o aumento da arrecadação não fez parte do discurso dos novos perfeitos? Talvez pelo temor de isso presumir aumento da fiscalização, meio tradicional dos governos usado para aumentar a arrecadação. Ou talvez por achar que apesar de a inovação não ter evoluído, também não piorou, o que é igualmente preocupante! Ou seria por desconhecer como promover a inovação? É possível, já que é preciso construir novos caminhos, que exigem novas atitudes, quebra de paradigmas e mudanças culturais.

O novo amedronta, mas não representa algo que os prefeitos não possam fazer. Basta conhecer as experiências mineiras bem-sucedidas como as iniciativas de apoio ao desenvolvimento de startups conhecidas por SEED, Limonade, FIEMG Lab, MGTI e BootCamp/SEBRAE, bem como do CENTEV, da Universidade Federal de Viçosa. A experiência destes programas em como apoiar jovens empreendedores, como levar startups ao sucesso e fazer prospecção de novos negócios pode, definitivamente, motivar e orientar prefeitos interessados em buscar arrecadações inéditas para suas cidades.

Isso já acontece nas universidades mineiras, onde startups têm sido desenvolvidas e ganham o mercado nacional e até mesmo internacional. Muitas, por falta de apoio, vão embora para se tornarem empresas nos EUA e Europa, onde passam a dar emprego e recolher novos impostos! Seria interessante que os novos prefeitos conhecessem estas iniciativas inovadoras que podem mudar a realidade de seus municípios.

O compromisso que se deve ter com o bem-estar da população é decisivo e passa necessariamente por políticas públicas capazes de aproveitar o desenvolvimento científico e tecnológico que avançou muito no Brasil, inclusive com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais - FAPEMIG. A sociedade precisa incentivar o estabelecimento de pontes que conectam o conhecimento a sua incorporação pela indústria e o mercado, substituindo importações e ampliando as exportações e, mais importante, criando novos e bons empregos. Assim, ações em ciência e tecnologia, associadas a políticas públicas e ao empreendedorismo, podem resultar, sim, em votos, mas por serem a melhor opção para criar renda, empregos e salvadoras arrecadações.

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