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31/Mai/2017 - 08:00 - Atualizado em 29/Mai/2017 - 11:42

Como Willy Wonka pode ajudar minha empresa?

Desafio para qualquer gestor é tornar sua empresa ou seu negócio um meme


Por Geraldo Barroso Belo Horizonte

Um dia desses navegando pelo Facebook percebi que aquelas imagens com textos sobrepostos haviam dominado a rede. Seja o Chapolin, o Willy Wonka clássico ou a menininha com cara de poucos amigos, fato é que os chamados memes têm um poder de propagação quase irresistível. É como se houvesse em nós uma espécie de instinto natural (quase biológico) em compartilhar as boas ideias. Para o autor que introduziu o vocábulo meme em nossa cultura, a relação é exatamente essa. Richard Dawkins – o famoso biólogo evolucionista – compara a propagação cultural com processos biológicos em seu livro “O Gene Egoísta”.

Assim como os genes se disseminam no fundo genético saltando de corpo em corpo por meio de espermatozoides e óvulos, também os memes se disseminam no fundo mêmico saltando de cérebro em cérebro por meio de um processo que, no sentido geral, pode ser chamado de imitação. Se um cientista ouve ou lê uma boa ideia, ele a passa adiante para os colegas e os alunos. Ele a menciona em seus artigos e em suas palestras. Se a ideia “pegar”, pode-se dizer que ela difunde, espalhando-se de um cérebro para outro.¹

Isso quer dizer que temos essa espécie de instinto cultural em compartilhar aquilo que julgamos relevante, tocante, especial, engraçado, enfim… qualquer coisa que mexa com nossos sentidos e nos mova em direção ao link “compartilhar”. O problema, como nos explica Henry Jenkins em “Cultura da conexão”, é que nessa cultura conectada em rede, nós não podemos identificar uma causa isolada que nos leve a propagar informações. As pessoas tomam uma série de decisões de base social quando escolhem difundir algum conteúdo: vale a pena se engajar nesse conteúdo? Vale a pena compartilhar? É de interesse para algumas pessoas específicas? Comunica algo sobre mim ou sobre meu relacionamento com essas pessoas?²

O desafio para qualquer gestor nessa enxurrada de hiperconexões, plataformas e decisões de base social é tornar sua empresa ou seu negócio um meme. As empresas precisam produzir muito mais do que conteúdos relevantes, elas precisam criar experiências dignas de serem compartilhadas para saltarem de cérebro a cérebro. A relação com a marca precisa ser afetiva, onde o sentimento produzido é também inteligível a ponto de levar à seguinte ação: “Preciso propagar essa experiência”. Ou, como Willy Wonka questiona aos seus convidados em determinado momento da visita à sua fantástica fábrica: “Onde está o sentimento? No coração ou na cabeça?”. Parece que de Wonka a Disney, o mercado de entretenimento descobriu que coração e cérebro são como queijo e goiabada. Devem andar lado a lado. Não é à toa que os parques da Disney são o maior fenômeno de produção de cases de sucesso onde a relação afetiva – que brota do coração – transforma a experiência em algo compartilhável – decidido pelo cérebro (sugiro que você procure sobre esses cases no Google).

Portanto, não há uma fórmula pronta para que sua empresa torne-se um meme, mas o caminho sempre passará do sentimento à razão. E esta razão implica muito trabalho e dedicação, como conclui o Sr. Wonka ao final da visita: “Se você quiser ver o paraíso, basta olhar em volta e vê-lo. Qualquer coisa que você quiser, apenas faça acontecer”.

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  1. DAWKINS, Richard. The selfish gene. Oxford: OxfordUniversity Press, 1976. (p. 192)
  2. JENKINS, Henry. Cultura da conexão. São Paulo: Aleph, 2014. (p. 37)

#empreendedorismo#negócios#artigoFavoritar

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